Blog do Pedro Hauck

16 de fevereiro de 2006

Subindo o Nevado San Francisco

:: Leia a parte que antecede este relato

Auto retrato na base do San Francisco: Frio!
Por sorte a água do carro não congelou, mas mesmo assim estou preocupado. Ficamos mais duas noites a 4700 naquele refúgio. Após Maximo ter acordado depois daquela noite terrível, ele teve uma significante melhora.

Para conter a angustia de ter que ficar esperando numa altitude tão ingrata, fui buscar água no Chile e desci até a aduana que fica ao lado da Laguna Verde, um lugar muito interessante. Fiquei imaginando o Maximo lá naquele local a cinco anos atrás passando por apertos… mas isso ele mesmo conta no site. No chile tudo é muito árido e a água da laguna verde era impropria para beber. Por isso voltei para o refúgio e desci novamente a Grutas para pegar mais água.

Este pequeno passeio de ir e voltar me fez sentir melhor e os ânimos retornaram. Nesta noite o tempo foi impecável, sem ventos e com céu claro. Dormi confortável e ainda assisti um filminho no computador para distrair.

No dia seguinte acordei disposto a atacar o cume do San Francisco, mas o Maximo não estava bem novamente. Acabei por sair sozinho por volta das 11 hs. Achava que iria ser fácil escalar aquele vulcão, mas aqui as aparências enganam. A subida pela vertente do vulcão era interminável e logo o cansaço me abateu. Parei várias vezes para descansar e beber água. Só não desisti por que quando olhei no altímetro do relógio percebi que faltava pouco para o fim.

Cheguei no cume muito cansado, nem verifiquei que horas eram. Tirei algumas fotos, dentre elas uma em que figurava no horizonte o Monte Pissis o Bonete Chico e Bonete Grande, algumas das mais altas montanhas dos Andes. Não lembro de nenhuma boa recordação do cume do San Francisco.

De todos os cumes que já alcancei, este foi sem dúvida o mais feio, pois com exceção destas montanhas, incluindo ai o Incahuasi, tudo o que se vê é um deserto seco sem vida. Por fim foram 1200 mts de ascensão direta por um caminho muito longo. A descida foi penosa devido aos ventos e principalmente o cansaço. Senti que se eu estivesse melhor aclimatado tudo seria mais fácil.

Voltei para o refúgio exausto e dormi muito mal, tendo algumas alucinações e acordando muito durante a noite. O dia amanheceu hoje diferente de ontem, havia muita neblina nos vales e fazia um pouco mais de frio, embora estivesse sem vento. Decidimos então regressar a grutas e dar início a tentativa de escalar o Incahuasi. Deixamos avisados os policiais e viemos de volta as termas para descansar.

Iremos passar a noite na terma e amanhã iremos ao Inca. Antes de chegarmos aqui, fui conferir o caminho até lá, tive pena do carro, mas ele está até agora reagindo muito bem as nossas necessidades. Espero chegar ao cume do Inca sem problemas. O dia não foi tão bonito como os anteriores e o cume dele ficou fechado o tempo todo. Vou torcer para que estas nuvens se vão rápido e que em 4 dias no máximo possamos estar lá em cima. Vamos ver no que vai dar.

Vista para o Incahuasi

Visão do cume

Visão do cume para o lago na base do Incahuasi

Vista do cume

Auto retrato

Auto retrato

Vista para o norte com o Peinado e o Sierra Nevada

Aclimatando no Paso San Francisco

:: Leia a parte que antecede esta história


Ontem subimos de Las Grutas, onde ficam os policiais da aduana e os funcionários que mantem a rodovia que fica a 3900 mts e viemos até a fronteira que fica a 4700 mts.

São apenas 20km que separam estes locais. A Fronteira, chamada de Paso San Francisco, fica na base de um vulcão do mesmo nome que tem cerca de 6000 e que fazia parte de nossos planos escalá-lo para forçar uma aclimatação. Chegamos aqui por volta das 13 horas e nos instalamos em um pequeno refúgio que é um abrigo para quem tem problemas na estrada e é usado pelos andinistas como nós.

Passaram alguns carros por aqui, dentre eles três suíços que visitaram o refúgio, tomamos mate com eles. Quando os suíços se foram, Maximo me contou que sentia uma leve dor de cabeça. Entoa propus que ele subisse um pouco para forçar a aclimatação. Em pouco tempo ele se preparou e partiu, enquanto isso fiquei no refúgio cuidando das coisas e carregando a bateria do computador. Se lá embaixo o aquecimento do motor do carro era uma de minhas preocupações, aqui em cima passou a ser o congelamento dele.

Eu até então não havia pensado nesta hipótese, mas a agua do radiador pode facilmente ser congelada e isto poderá acarretar problemas nas mangueiras e no próprio radiador, como uma rachadura e vazamentos. Se isso acontecer, estamos ferrados aqui neste deserto. Maximo demorou três horas para voltar, subiu em um local tão alto que pelo rádio ele me explicava e eu não conseguia enxerga-lo nem mesmo com a lente de 300 mm da máquina fotográfica. Ele voltou exausto, a tempo que eu preparasse um macarrão que saiu uma gororoba horrorosa.

Ao invés da subida ter forcado nele uma aclimatação, resultou o contrário, ele se exauriu e passou a ter mais dor de cabeça. A noite chegou calma, com poucos ventos e um céu aberto cheios de estrelas. Eu dentro do refúgio resolvi tirar a agua do radiador, mas não consegui sacar quase nada. A noite foi terrível para ambos, mas pior para o Maximo que teve delírios e alucinações. Eu dormi muito mal também. Senti dores de cabeça e tive sonhos ruins que faziam minha cabeça girar como ondas do mar. me senti um pouco enjoado.

Pela manhã, antes do sol nascer, Maximo acordou para vomitar, o que é um mal sinal. Para a aclimatação. Subimos muito rápido, saindo do fundo da bacia do Paraná a 200 mts de altitude para os 4700 em apenas 3 dias, por isso ficamos assim... Para piorar, meu medo de dar algum problema no carro aconteceu. Agora pela manhã abri o capo do carro e a agua estava congelada no radiador. Não sei o que faremos hoje, mas o mais prudente é descer.

Se queríamos forcar a aclimatação já forcamos bastante subindo e dormindo aqui. Vou esperar o Maximo levantar e o carro descongelar para tomarmos uma atitude.

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De San Fernando a Puna do Atacama.


Vulcão Incahuasi visto de onde estou agora

A maior vantagem, desta viagem, a qual sonhei durante anos, foi sem dúvida contar com um carro para poder realizá-la. É por causa disto que posso escrever agora na integra o que anda passando. Estamos com um notebook na montanha e por isso posso escrever na hora que as coisas acontecem.

Agora são 23 hs. Estou junto com o Maximo que ouve música em seu saco de dormir dentro da barraca. Lá fora faz muito frio (tb estamos a quase 4000 mts de altitude). A noite está linda, com uma lua que ilumina toda a puna e as montanhas ao redor, como o Cerro San Francisco e o Vulcão Incahuasi, que pretendemos escalar. Esta é uma das regiões mais impressionantes que já visitei, tudo aqui é longe, selvagem e inóspito, mas acessível, pois chegamos de carro por uma estrada asfaltada.

Mesmo assim não é fácil. Para mim que nunca havia dirigido na altitude e em Desertos, fiquei preocupado. Para começar, quando atravessamos a Pampa lá em baixo, fazia um calor superior ao Piaui. Era insuportável e tínhamos que deixar ligado o ar o tempo todo. Ficava sempre alerta com a temperatura do motor, que mesmo em movimento sempre ficava nos 95 graus. Mesmo com o ar ligado, o carro andou bem. Fizemos uma média de 620 km por tanque de 50 lts. Nada mal para um carro cheio.

A gasolina aqui na Argentina é muito mais barata que no Brasil. O litro está saindo por volta de 1,75 pesos, isso pq cada real vale 1,25 pesos, ou seja, pudemos usar o ar condicionado. Até San Fernando só cruzamos pampas secas recobertas pela vegetação do Chaco que já tentei descrever. San Fernando fica rodeado por montanhas da pré cordilheira, com baixa altitude e muito secas. Pelo vale de Catamarca, observei inúmeros rios intermitentes que caracterizam bem como são as coisas por aqui.

Saí da cidade rumo ao sul, a Província de La Rioja. La o ambiente transaciona de Chaco para um total deserto. Cruzamos alguns esporoes da pré cordilheira somente habitados por enormes cactáceas e bromélias de chão, além de alguns arbustos lenhosos repletos de espinhos. Maximo já esteve aqui uma vez, durante sua zicada viagem solitária pelo deserto. Ele me descreveu o local como sendo uma região que Deus passa somente de Helicóptero, mas depois que conheci aqui, passei a acreditar que Deus nem sequer existe.

Por todo o horizonte não se avista arvores e somente os mais robustos e adaptados vegetais resistem ao calor, vento e salinidade do solo. Mesmo assim existe prosperidade. Passamos pela cidade de Aimogasta, onde observei inúmeras plantações de Oliveira. Apesar da cidade ser pobre, existe lá uma fonte de economia, assim como a Uva e o vinho de Tinogasta, uns 100 km depois já de volta a província de Catamarca Esses locais são pitorescos, verdadeiros oásis no meio do deserto, irrigados pelas aguas que degelam das montanhas. Assim também é Fiambalá, o último ponto civilizado antes do lugar que estou agora. De Fiambalá até aqui são cerca de 200 km mais ou menos. Neste caminho subimos por vales intermináveis e verdadeiros desertos com direito a tempestades de areia e tudo… Estamos muito perto do Chile, e de outras montanhas famosas, como o Ojos del Salado e o Pissis, que sao umas das mais altas montanhas de toda a América.

Após estabelecermos este acampamento, pudemos disfrutar dos confortos de se viajar de carro. Trouxemos linguiças, hambúrguer e outras coisas impossíveis de se trazer numa mochila e por isso comemos muito bem… Entretanto, o melhor não foi a comida, mas sim o fato de aqui onde estamos ter uma fonte de agua termal onde pudemos descansar como se estivéssemos num spa.

Como esta é a segunda noite nossa na altitude, não pudemos subir mais do que onde estamos, isso devido aos problemas que uma má aclimatação pode acarretar. Mesmo assim fui bisbilhotar aqui perto. Subi uma colina de rochas vulcânicas para se ter uma melhor visão da região e além da vista pude ver um bando de Vicunhas que pastavam livremente. Ao horizonte pude reconhecer na baixada do Incahuasi uma playa de sedimentos vulcânicos e concentração de água represada que formava um lago de cor branca devido a concentração de sal. Reconheci também um caminho para ascensão do vulcão e julguei que não será muito complicado.

Amanhã iremos subir um pouco para forçar a aclimatação. Talvez nós vamos também ascender o Cerro San Francisco. Enquanto isso vou aproveitar o conforto do saco de dormir para tirar um cochilo.

Paisagem na Puna

Bando de Vicunhas

Local onde estou escrevendo este post

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4 de fevereiro de 2006

Já estamos na estrada!


Os tempos de angustia passaram. Acabei não conseguindo transferir o carro da minha mãe para meu nome. Não pude acreditar na burocracia que criaram para fazer uma coisa tão simples. Para não perder a viagem, que já estava atrasadíssima, tive que tomar uma decisão extrema, ir para Brasília e conseguir uma autorização no Ministério das Relações Exteriores para poder vir para a Argentina.

Saímos no dia 28 de Itatiba e fizemos os quase 1000 Km que separam minha cidade da capital do país em um dia apenas. Entramos com os documentos somente na segunda. Durante este tempo estivemos na casa de minhas primas, Daniela e Luciana. Também reencontramos uma amiga, a Iara, com quem passamos o fim de semana conhecendo as loucuras arquitetônicas da Capital. Terça feira saiu o documento, foi incrível, mal podíamos acreditar depois de tantos contra tempos. Pegamos a estrada neste mesmo dia. 

Saímos de Brasília por volta das 15:00 e fomos em direção de Goiânia, onde fizemos uma pausa para comprar algumas comidas para a viagem. Em seguida pegamos a Transbrasiliana, a BR 153. Cruzamos todo o sul de Goiás. A estrada oscilava entre péssimo e excelente, com muitos trechos em duplicação. Atravessamos o Rio Paranaíba de noite e chegamos em Minas Gerais, em um local que eu já conhecia das saídas de campo da faculdade. A estrada havia melhorado muito desde a última vez, entretanto enfrentamos uma situação inusitada. No trevo da BR 153 com a estrada que liga Uberlândia a Ituiutaba, a estrada estava impedida e teríamos que fazer uma volta de 200 Km. Tudo por que uma pontezinha havia caído alguns quilômetros a frente. Por sorte um fazendeira fez uma desvio de 800 metros que nos economizou bastante quilômetros. O pedágio para o desvio era de 10 reais, mas valeu a pena. 

Passamos a primeira noite dormindo dentro do carro na cidade de Fronteira, na margem do Rio Grande na divisa com São Paulo. Dormimos muito mal, fazia muito calor e o desconforto de dormir sentado era terrível. Ao amanhecer pegamos a estrada novamente e fomos tomar o café da manhã perto de São Jose do Rio Preto, usando nossa sofisticada cozinha. Montamos uma mesa portátil e esquentamos um café numa cafeteira italiana e comemos umas torradas na chapa de ferro, muito esquema! Depois do desjejum, voltamos para a estrada rumo ao sul. Passamos por Rio Preto e fomos encher o tanque em José Bonifácio, onde botamos uma gasolina fajuta. Passamos por Lins, Marilia e antes de chegar em Ourinhos tive o azar de não ver uma buraco muito fundo pelo qual passei com as duas rodas da direita, destruindo-as. Fiquei com muito medo de perder meus pneus que são bem novos. Ainda bem que viajei com dois steps e pude ir numa borracharia onde comprei duas rodas por R$ 50,00. Os pneus, graças a deus, não estragaram e estão até agora no carro. Depois do susto, foi a hora de sofrer mais um, desta vez no bolso. 

Foi somente cruzar a divisa com o Paraná que demos de cara com um pedágio de 7,90. As estradas do Paraná são todas de pista simples, com um asfalto mais ou menos só que com pedágios caríssimos e muito próximos. Foram 9 pedágios até Foz do Iguaçu, onde chegamos somente no dia seguinte. Passamos a noite em um posto de gasolina em Medianeira, dormindo na barraca perto dos caminhoneiros. Tive medo de ser roubado, mas a polícia passava por lá toda a hora e tivemos uma noite muito bem dormida. 

Em Foz pela manhã trocamos todos nossos reais por pesos e ficamos prontos para cruzar a fronteira. Entretanto mais um contra tempo aconteceu. Fui descobrir somente na fronteira que meu seguro do carro não vale na Argentina e tive que comprar uma "carta verde", que é um seguro de terceiros obrigado na Argentina. Após perder algumas horas indo atrás do seguro e 240 reais para contratá-lo, pudemos finalmente cruzar a fronteira. 

Com o tanque de gasolina "no cheiro" abasteci em Puerto Iguazu. Aqui na Argentina a gasolina é muito mais barata e é de melhor qualidade. Com 80 pesos enchi o tanque para poder viajar. Só para se ter ideia de quanto isso custa, trocamos cada real por 1,25 pesos! Durante este dia cruzei toda a província de Misiones. Parei apenas para conhecer as ruínas jesuíticas de San Ignácio. O calor era insuportável, mas foi interessante. Passamos por Posadas e logo estávamos na província de Corrientes, onde fomos passar a noite numa praia do Rio Paraná na cidade de Ita Ibaté. Foi uma noite linda. Havia pouca luz pois a lua estava minguante. As estrelas iluminavam o céu e refletiam sobre as calmas águas do Paraná. Abafamos o calor do verão com um bom banho de rio, com direito até a lavar a roupa suja. 

Ruínas em San Ignácio

Praia onde dormimos no Rio Paraná

Usando meu isolante inflável para nadar no rio.
No dia seguinte continuamos nossa viagem, passando pela cidade de Corrientes e cruzando o rio Paraná indo sair em Resistencia na província do Chaco. Lá Pegamos a desolada Ruta 16, uma estrada sem curvas e completamente reta. Fomos para o interior da província. Um lugar mais quente que o inferno que parece ser atualmente uma fronteira agrícola na Argentina. A prosperidade da soja, do milho, girassol etc... durou somente até a divisa com a província de Santiago del Estero. Lá Papai Noel passa de helicóptero, de ar condicionado ligado, é claro. O lugar é quentíssimo e a vegetação é o Chaco, com predominância de espécies arbóreas de porte baixo onde as copas se encostam mas forma-se uma espécie de sub-bosque muito habitado por arbusto e um substrato herbáceo. Durante o caminho observei muitas cactáceas, algumas parecidas com a palma e o mandacaru, só que maiores. Presenciei também várias espécies espinhentas e de folhas pequenas e tive a impressão de que o Chaco se parede com a caatinga. 

No Chaco, entretanto, existem rios, mas o terreno é mal drenado. Se fizermos uma linha de norte ao sul, teremos ao norte o rio Bermejo, formado nos Andes e ao Sul o Rio Dulce, que banha a cidade de Santiago del Estero. Acho que são uns 500 km em linha reta este interflúvio, que tem não mais que uns 100 metros de desnível do fundo dos vales até o divisor de aguas, se é que pode-se chamar assim, pois as aguas que caem neste terreno não vertem para nenhum lado, tamanha é a planura. Não é portanto que toponímias com Pampas del Infierno aparecem por todo o Chaco.
Vegetação no Chaco
Chegamos em Santiago del Estero no fim da tarde. Lá trocamos o óleo do carro e adicionamos na gasolina um limpador de injeção, já que a gasolina de Jose Bonifácio fazia o carro engazopar toda a hora.  Voltamos para a estrada no alvorada e observamos mais um dia ir embora, dirigimos até um lugar chamado Lavalle, onde pretendíamos dormir, entretanto passamos por esta suposta cidade sem notá-la e entramos sem querer na província de Catamarca. 

A noite estava muito escura e não conseguíamos enxergar nada. Depois de passar por duas cidadezinhas encontrei uma estrada de terra que dava acesso a um rio seco onde acampamos. O local era muito estranho, mas tinha areia e pudemos dormir com conforto, ou quase, pois o calor era insuportável. Mais para a madrugada fui acordado pelo Maximo. Estava chuviscando. Tiramos a barraca detrás do carro e a levamos até debaixo da ponte da estrada que havíamos transitado. O ligar era um deposito de entulho e porcarias, havia até um boi morto. 

Local onde dormirmos
Acordei cedo, todo empapado de suor, a noite foi horrível. Saímos do rio seco e pegamos a estrada novamente. Pela primeira vez deixamos a planície e subimos um cordão montanhoso. A estrada era um pouco ruim para quem se acostumou com o asfalto argentino, entretanto recordando as estrada de Minas estávamos muito bem. Procuramos um lugar para tomar banho, postos de gasolina, campings e nada. Os quilômetros foram passando e por fim chegamos em San Fernando del Valle de Catamarca, a capital da província de Catamarca. A cidade é pequena, pouco arborizada para os padrões da Argentina, parece ser bem tranquila e seca. 

Pela paisagem que observei até aqui, o Noroeste argentino parece ser muito seco, com a predominância de muitas cactáceas. A exceção foi a Serra que cruzamos para chegar até aqui, onde se desenvolvia uma formação florestal. Este é um mundo novo para mim, ainda ando com muitas ideias sobre o que o Chaco e ele está ficando para trás. Pretendo estudar melhor este domínio de paisagem para entender esta formação seca e quente com invernos rigorosos. 

Estamos de passagem por San Fernando, verificando emails e comprando comida. O próximo plano agora é subir os andes até o Paso San Francisco, que dica 500 km daqui. Não chegaremos lá hoje, até pq o paso fica uns 4800 mts de altitude e é preciso ir com calma. Estou ansioso para me livrar do calor. Ficaremos incomunicáveis alguns dias pois estaremos escalando alguns vulcões. No paso San Francisco ficam algumas das mais altas montanhas da América, como o Ojos del Salado, o segundo maior, o Pissis, Tres Cruces e o Incahuasi. 

Pela acessibilidade optamos por escalar o Incahuasi que tem 6600 mts. Não será uma escalada de dificuldade técnica. A dificuldade será a altitude e o clima da Puna do Atacama. A Puna do Atacama é um domínio de paisagem muito seco que se desenvolve nas regiões de mais elevada altitude dos Andes do Norte da Argentina e Chile. É mais outra paisagem nova para mim que tenho ânsia de entender este continente tão pitoresco como é a América do sul, principalmente neste local onde estamos. 

Um abraço a todos

 ps. Por favor desconsidere os erros de português, principalmente os de acentuação. Estou em um Ciber Café com teclado em espanhol e com pressa para não gastar muito.


19 de janeiro de 2006

Odisséia Austral, 6 anos!

Ontem, 18 de Janeiro completou 6 anos que Maximo e eu partimos para a mais longa viagem expedição de nossas vidas até então, a qual denominamos "Odisséia Austral". Nela demos inicio à vida na montanha, escalando um seis mil metros e outras 4 montanhas no sul da Argentina e Chile. Chegamos até Ushuaia na Terra do Fogo e fizemos tudo isso quase sem dinheiro em 5 meses de viagem. Detalhe, tudo isso de carona! Seis anos depois e progredimos bastante. Já temos até um transporte próprio. Só espero que a polícia me libere logo para podermos dar inicio a mais uma viagem-expedição.