Blog do Pedro Hauck: Trekking ao Acampamento Base do Everest
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4 de maio de 2017

Kala Pattar a melhor vista do Everest

O dia anterior não foi bem sucedido a todos. Como liderei o grupo dos mais rápidos, apenas soube depois o que houve com os mais lentos.

Na altitude nem todos aclimatam igual. Acostumar-se com a altitude varia de acordo com cada organismo. O Tiago de Brasília, por exemplo, já havia tido um edema no Huayna Potosi e nem chegou a Lobuche. Teve que descer antes. Já o doutor Bruno, deu uma dividida com um monge no jogo em Tengboche. Deus castigou e ele passou mal.

Aqueles que não conseguiram ir ao base camp,  puderam escolher entre ir ou subir o Kala Pattar. Por isso o grupo que ascendeu o mirante foi pequeno.

Saímos ainda de madrugada com um frio bem forte. Mas bastou apertar os passos para o corpo esquentar. Nem todos, é claro, pois há gente mais friorenta que outros.

No geral a subida foi bem tranquila, todos chegaram ao topo em 2 horas. Vários grupos foram chegando e o número de pessoas não parava de crescer.

A vista justificou tudo. Estávamos em frente ao colossal Everest. Finalmente pudemos aprecia-lo bem, podendo ver também o Lhotse, Nuptse e claro o Pumori.

Apesar de algumas pessoas falarem que o Kala Pattar é uma montanha, ela na verdade não tem independência para isso. É na verdade uma crista do Pumori.  Em Sherpa seu nome significa "morro negro". De fato é isso que o Kala Pattar, um morro de cor escura que é um excelente mirante do Everest, só com 5500 metros de altitude.

Para quem conhece a Serra do Mar paranaense, o Kala Pattar está para o Everest como o Rochedinho está para o Marumbi. Salvo todas as proporções, é claro.

Não passamos outra noite em Gorak Shep, ao invés disso aproveitando que chegamos cedo ao refúgio, pegamos todas as coisas e fomos pernoitar em Pheriche, num lodge bem mais confortável.
De Pheriche, no dia seguinte, o iniciamos nosso regresso,  voltando a trilha até Namche, depois Phakding e finalmente Lukla onde o grupo tomou o avião de volta. O grupo, não eu.

Fiquei sozinho para dali encarar um desafio, escalar minha primeira montanha no Himalaia.
Cume do Kala Pattar, Pumori e Everest
Everest, Nuptse
No topo do Kala Pattar e crista do Pumori
Subida ao Kala Patar
Everest
Everest e Nuptse

2 de maio de 2017

Chegada ao acampamento base do Everest

Deixamos Lobuche bem cedo rumo à Gorak Shep. Apenas uma pessoa do grande grupo não conseguiu ir adiante e teve que descer a Pheriche. Tiago de Brasília não conseguiu se aclimatar e um sherpa o levou até aquela vila onde ele poderia melhorar, uma vez que lá um hospital que é centro de referência em altitude.

O resto do grupo continuou firme e parte alcançou Gorak Shep em apenas uma hora e meia. Este vilarejo é um complexo de lodges que é o último ponto antes do acampamento base, que fica em cima do gelo e por isso não tem como ter construções permanentes.

Com os mais rápidos, entrei em nosso lodge e agilizei uma refeição. Agrupei 15 pessoas que no final deu 19 e partimos rumo ao EBC.

O caminho é praticamente uma caminhada em moraina, ou seja em pilhas de pedras que foram levadas pela geleira no passado.

Por conta disso, o terreno é bastante irregular e o passo fica mais lento.

No topo da moraina,  após cerca de 1 hora de caminhada, consegui ver o Everest pela primeira vez. Despontava por trás do Nuptse  sua inconfundível pirâmide negra.

Pouco depois, enfim, descemos até o glaciar do Khumbu e chegamos na entrada do acampamento, onde havia um chortén cheio de bandeiras de oração e cheio de gente também.

Saí um pouco da muvuca e fui admirar o local do topo de uma colina. Nós trekkers não temos permissão para ir muito além deste ponto. Me contentei a admirar a paisagem somente.

Parecia surreal estar ali. Um local que desde criança eu lia a respeito. Porém, como montanhista, não tem como não dizer que é um tanto quanto decepcionante não poder  ir além, chegar na base da cachoeira de gelo, ver o Lhotse e tentar subir a montanha mais alta do mundo.

Apesar da massificação do Everest, ela não deixa de ser uma montanha que atrai  montanhistas. Porém o alto custo das expedições limita quem tem condições financeiras para tal. Como há muitos trekkers e curiosos, ficaria também complicado se todos tivessem acesso.

Volto a nosso lodge feliz de pelo menos ter chego à base da montanha mais famosa do mundo. Ainda mais de ter levado muito gente para aquele lugar mágico e mais ainda sabendo que essa expedição fez a diferença para muitos sherpas do povoado de Pattle, que agora tem escola para suas crianças.

1 de maio de 2017

O caminho de Lobuche

Saímos enfileirados de Dingboche e após vencer um breve passo, uma planície se espraia, permitindo que andássemos em grupo conversando.

Até aí a maldição do Monge não recaiu sobre a cabeça do Bruno e nem do japonês.

Todos caminham num bom ritmo até que a trilha se afina novamente. Lá paro e noto a bela paisagem que o Cholatse, uma montanha de 6 mil metros domina.

Cruzamos um rio e facilmente chegamos no local de nosso almoço: Dougla.

Fizemos uma ótima refeição. Todos descontraídos batem papo e se hidratam tomando suco quente, uma especiaria culinária local. Mas noto que Maximo demora para chegar. Infelizmente alguns clientes não estavam se aclimatando bem e por isso andavam bem lento. Seria a dividida com bota a culpada?

Como já estávamos há muito tempo esperando,  parto na frente com alguns sherpas e clientes e logo de cara enfrentamos uma grande subida, disputando espaço com yaks, dzopkios e carregadores.
A subida é longa, porém cadenciada. Com ritmo conseguimos vence-la e no topo percebemos que estávamos num memorial aos mortos do Everest.

Havia uma grande stupa, cheia de bandeiras de oração. Também haviam muitos totens simbolizando um morto na montanha. Pude ver o totem de Scot Fischer e de outros falecidos famosos, como Babu Sherpa, até hoje o homem que mais vez esteve no topo do mundo.

Sem perder tempo, ergui mãos dois totens no local, um em homenagem ao Parofes e outro ao Davi Marski.

Mesmo que eles não tenham morrido no Himalaia,  eles eram  mais montanhistas que muita gente ali.
Os totens de meus falecidos amigos foi bastante diversificado. Havia filito, milonito, gnaiss e anfibolito.  Só ali percebi que estava em uma moraina lateral. Que é o depósito da geleira do Khumbu, que desce direto do Everest. Daí toda essa variedade de rochas.

Dali não precisou muito tempo para enfim chegamos a Lobuche, um vilarejo que fica na base de uma montanha de nome homônimo, onde a Karina Oliani e Marcelo nos esperava. Eles haviam subido lá no dia de nosso descanso para agilizar a aclimatação para acenderem o Everest depois.

Após uma pausa para chá e de deixarmos as mochilas e duffels no quarto do lodge, fui dar uma volta com o Andrei, Jaime e Cláudio. Subimos a moraina e de lá tivemos uma linda visão para o Pumori, Lingtren e Nuptse. Na volta encontramos a Ilana toda encolhida numa pedra, protegida do vento admirando a mesma paisagem.

Estas montanhas fecham o vale do Khumbu. Dali não tem para onde ir senão subir a cachoeira de gelo do khumbu e escalar a montanha mais alta do mundo.

Tobuche (esquerda) e Cholatse, direita
Dzopikios
Pumori no fundo do vale e Nuptse na direita
Dougla e Pumori

30 de abril de 2017

Neve na trilha

O dia amanheceu preguiçoso no lodge em Tengboche. Mas foi olhar pela janela da construção para  ter uma grande surpresa: tudo estava branco!

Tomamos nosso café da manhã e já nos colocamos à marcha. A nevasca deixou tudo muito mais bonito e mágico.

O primeiro trecho era composto por uma Matinha. Teríamos que caminhar por seu sub bosque. O branco da neve deu uma cara de filme de conto de fadas. Os locais caminhando de um lado a outro e a arquitetura medieval das casas eram ingredientes para essa sensação.

Chegamos no fundo do vale. O Dudh Khosi estava com uma cor celeste. Tivemos que esperar uma caravana de dzopkio cruzar uma ponte suspensa. Foi outra cena de filme.

Paramos para almoçar em Shomane. Parte do grupo demorou a aparecer e os que vieram antes começaram a passar muito frio. Mal terminei de comer e já voltei a caminhar.

Cruzamos a cidade de Pengboche e entramos num planalto. Estava tudo branco e quando percebi estava andando no meio de monges tipicamente vestidos e uma caravana de yaks. O sino no pescoço deles ditaram meu ritmo até perto de Dingboche, nosso destino.

Ficamos num lodge modesto, porém muito confortável para a região. Comemos muito bem e ficamos tranquilos, pois o próximo dia era de descanso.

Mesmo assim todos despertaram cedo. O dia amanheceu lindo com céu azul pela primeira vez. Podíamos ver e nos impressionar com a beleza e opulência do Ama Dablan em nossa cara.

Eu queria subir algo para melhorar a aclimatação. Acabou que o grupo todo gostou da minha idéia de subir uma montanha de 5 mil metros e foi o passeio do dia.

No entanto um vento gelado soprou forte das grandes montanhas. Este vento mandou para longe as nuvens, mas impediu que subissemos além dos 4700 metros, mas ok.

Voltei ao hotel e deixei o tempo passar. Conhendo a vila e sua paisagem.  No final até me encontrei com a Lisete Florenzano que também estava guiando um grupo.

No entanto nem todos estavam bem. Alguns clientes não se deram bem com a altitude e sofreram bastante, mesmo com os dias de descanso e a ascensão lenta e gradual. Thiago era o quem menos se aclimatou. O dia seguinte seria uma provação para ele.

Yaks na trilha

28 de abril de 2017

Tengboche o mosteiro mais importante do Khumbu

Após um dia de descanso em Namche enfim partimos da capital sherpa para adentrar mais no vale do khumbu.

Deixamos a cidade pra trás com o belo mirante que dava para ver o Kongde e o Thamserku, duas belas montanhas de 6 mil metros. Porém uma poeira encobriu o céu e não pudemos ver o Ama Dablan, que no alto de seus 6817 metros é a montanha mais impressionante da região.

No entanto o caminho não deixa de ter seus encantos.  Religiosos, os locais entalharam nas pedras mantras budistas. Stupas, muros de orações e as próprias construções no caminho são belezas do local.

Após um trecho sem desníveis chegamos em Sanasa, onde a trilha se divide. Para cima se vai para Gokio e para baixo é o caminho normal para o base do Everest.

Ali a trilha desce vertiginosamente. Rodrigo Madá,  um colega de Curitiba contou 119 curvas até o rio que é atravessado por uma bela ponte suspensa.

Pouco adiante paramos para almoçar em  Phungitanga num agradável restaurante na beira trilha.
O tempo até então agradável começa a dar cara que vai mudar. Nuvens escuras fecham o céu e um vento gelado obriga a todos se agasalhar.

Reúno um grupo de pessoas e decido partir antes que todos terminassem a refeição. A idéia era se aquecer e chegar em Tengboche antes da chuva.

Dali a trilha ganhava altura bruscamente, em zigzags intermináveis. Bem alimentado, não tive dificuldades até enfim chegar no portal do mosteiro onde Raats, um de nossos sherpas nos esperava assinalando para onde iríamos dormir.

Entrei no lodge, tomei um chá e fiquei sabendo que estava ocorrendo um ritual no mosteiro. Fui até lá ver.

A sala onde estava os monges estava cheia, com vários membros de nosso trekking também.
Encostei numa parede e comecei a ver o ritual. Os monges entoavam mantras, tocavam sinos e as vezes ficavam em silêncio.

De repente mais gente chegou e comecei a ficar incomodado. Ao ponto de aproveitar a carona de algumas pessoas que estavam saindo para sair também.

Preferi ficar ao ar livre fotografando e observando a bela construção budista por fora.

Foi quando alguns membros de nosso trekking saiu para jogar bola num campinho onde monges devidamente vestidos batiam um bolão. Eles gostaram de quando os brasileiros chegaram e nos chamou para a pelada.

Fiquei no começo só observando o jogo surreal.  Mas a altitude cobrou seu preço ao Felipe  (o japonês de nosso grupo) e eu entrei em seu lugar.

Perdemos de 1 a zero. Deus deve ter ajudado eles. E também punido o Bruno que deu uma entrada num pequeno mongezinho. Bruno vinha bem até então, mas depois da dividida com a bola sua aclimatação piorou muito.

O jogo acabou por que enfim começou a nevar.

Mosteiro de Tengboche
Jogo de futebol

25 de abril de 2017

Bate papo com Pasang Tamang Sherpa

Pasang é o mais divertido e extrovertido dos guias locais. Ele é meio Tamang e meio Sherpa, que são etnias diferentes aqui no Nepal. Diferente da maioria dos outros guias, ele fala um inglês melhor e estudou fora. Fez informática na Índia.

Várias dúvidas me assolavam sobre minha experiência até então no trekking.  Muitos me diziam que o Nepal era muito pobre, mas até então o que eu vira se assemelhava mais à suíça que um pobre país asiático. No entanto a existência dos carregadores,  que mais pareciam homens formiga me indicava que ali era o Nepal mesmo.

Qual será o impacto de tanto turismo no vale do Khumbu e seus dólares para os povos da montanha? Será que essa aparente Suíça é real ou é apenas para inglês ver.

No caminho à Lukla, fizemos uma parada forçada em Ramjatar e lá pude ver como é uma vila realmente rural, produtora de alimentos. Uma pessoa que trabalha com turismo, não trabalha produzindo alimentos, será que isso não resultaria numa desestruturação da sociedade sherpa? Será que o turismo não é atraente o suficiente para tirar o homem do campo, provocar migração e desestruturar o setor produtivo rural?

De acordo com Pasang,  sim, o turismo atrai muita gente por conta dos altos salários em dólar. Mas a migração não é tão fácil no vale do khumbu.

Apesar de Namche ter crescido muito, o alto custo de vida de lá impede uma migração ainda maior. A maioria dos trabalhadores vem de vilas distantes, trabalham na temporada, mas depois retornam à seus locais de origens.

O bom do trabalho com o turismo na temporada é que eles podem ter um incremento de renda e reivestirem em suas terras e em suas casas. O problema é que a maioria trabalham em empregos que ganham pouco, como os carregadores. Então seria necessário muitos anos para que pudessem prosperar realmente.

A comida é um grande problema no khumbu. Como o vale é muito alto e escarpado, a produção de alimentos é limitada. O turismo por sua vez absorve bastante a mão de obra local, fazendo que de fato locais como Namche ficasse dependente das vilas mais baixas e de toda a cara e complicada logística para que os alimentos cheguem ali.

É por isso que, quanto mais alto, mais caro.

Isso por sua vez impede uma massiva ocupação do vale dificultando a migração. A construção de uma estrada facilitaria e baratearia a chegada de alimentos e todos os produtos. No entanto poderia inchar o vale de maneira insustentável.

De fato a logística atual, de pôr tudo em pequenos aviões, depois, no lombo de animais e nas costas dos pobres carregadores não paresse sustentável, mas é isso o que impede a invasão das terras altas do Nepal.

O turismo transformou o sherpa numa etnia rica no Nepal. Sorte deles serem de um local tão procurado pelo turismo, mas a mesma sorte não tiveram outros povos que habitam regiões mais baixas.

Para eles resta produzir bastante para os turistas e os vizinhos de cima. O farto número de pessoas permite emprego tanto na produção quanto na complicada logística que só não é mais cara, pois eles ainda aceitam trabalhar naquela condição.

A temporada é dura aos carregadores. Eles trabalham duro durante o dia e ficam em lugares insalubres a noite. Passando frio e sem ter dinheiro para, por exemplo tomar um banho quente. A comida que comem e a água que bebem é cara e  economizar para sobrar dinheiro no final é certeza de muito sofrimento e pouco conforto.

Os animais, como yaks, estão mais caros que a mão de obra humana, isso por que não há pasto suficiente lá em cima e é necessário levar muitos animais com fardos para alimentar a tropa. Por isso os carregadores humanos ainda são essenciais.

Melhorar as condições de trabalho dessa gente impactaria muito os custos das expedições em montanhas e de trekking.  Talvez ficando insustentáveis, uma vez que já são caríssimas. Sem turismo a frágil situação financeira do nepal se deterioraria rapidamente e isso poderia ser ainda pior para o povo pobre.

Ainda não sabemos aonde isso tudo pode levar. Porém fico tranquilo que estamos aqui fazendo tudo diferente, doando todo o lucro do trekking para a melhoria da educação do povo sherpa.

Quem sabe no futuro algum sherpinha Quem estudou na escola de Pattle possa equilibrar melhor as variáveis para que o turismo possa não apenas encantar o estrangeiro, mas também deixar a sociedade nepalêsa mais justa a todos.

Pasang Tamang Sherpa
Aeroporto de Namche. Transporte aéreo
Transporte tradicional
Meninas carregadoras
Animais de carga

18 de abril de 2017

Chegando na capital dos Sherpas

A etnia Sherpa é uma das dezenas de etnias do Nepal. Eles vivem nas regiões mais altas das montanhas, em vales longos onde não há estradas, apenas trilhas.

Por estarem acostumados a andar tanto e por nascerem em lugares altos, eles se tornaram montanhistas perfeitos. Sem eles escalar ou fazer um simples trekking no Himalaia seria muito mais difícil.

Eles descendem dos tibetanos e vivem no Himalaia há 500 anos. Tempo suficiente para terem desenvolvido genes que lhes permitem uma adaptação mais fácil às grandes altitudes.

Namche Bazaar é considerada a capital deles e como tudo na vida de um sherpa, para chegar lá é preciso andar muito.

Começamos a caminhada pela manhã e logo vamos conhecendo melhor a estrutura daquela trilha que é como uma estrada. Há muitas casas, lojas, tea houses e hotel. Uma estrutura urbana.

Infelizmente havia uma névoa no ar e estava difícil avistar as montanhas. Vou percebendo as pessoas que frequentam a trilha. Gente do mundo todo e em grande quantidade.

Há muitos orientais. Japoneses e chineses em grandes grupos. Os indianos são sempre os mais lentos e pior equipados.  Europeus são os mais rápidos.  Há famílias também.  Vejo um casal russo com duas meninas entre 10 e 12 anos com olhos claros como a cor do Dudh Khosi  (o rio principal que nasce no Everest ). Dois sherpinhas esticam o pescoço para as ver passar.

As vilas são bem bonitas, esteticamente dizendo. As construções são rústicas, mas bem acabadas. Há muitos tea houses com placas de café espresso italiano.  Estas construções e a paisagem me fazem pensar estar na Suíça. Porém os sinos não são tocados por vacas gordas, mas sim por bois peludos e chifrudos que carregam a carga dos turistas, o dzopkio uma mistura do yak com a vaca tibetana.

Porém a carga pesada é carregada mesmo pelos portadores.  Provenientes de vilas mais abaixo nos vales, eles são de outras etnias, como o Rai e o Tamang. Alguns impressionam pela quantidade de carga que conseguem transportar.

Muitos carregadores amarram os duffel bags dos turistas, fazem uma alça com a corda e saem andando pela trilha.  Outros levam um cesto nas costas, empilhando acima dele várias mochilas das expedições.

Não deixa de ser um contraste estes homens e mulheres se sujeitando a tão penoso trabalho, transitando por uma trilha com infraestrutura da Suíça.

O começo da caminhada desde se dá percorrendo um vale, com muitas travessias por ponte suspensa. O tamanho dos cabos de aço impressionam. Fico imaginando como o material usado na construção destas pontes chegaram lá...

Em certo ponto a trilha começa a subir e chegamos na mãe de todas as pontes, atravessando uma garganta de mais de 100 metros de altura. Algumas pessoas ficam até com vertigem.

Após este cruzamento de rio, a trilha segue abrupta, ganhando altura rapidamente.  Como subir é minha especialidade nem me importo com o esforço e quando vejo já estou entrando em Namche Bazaar para chegar em nosso confortável hotel.

Ainda é cedo e aproveito para conhecer melhor a interessante cidade com alguns clientes.

Descemos uma viela e chegamos numa rua plana, há uma bela loja de equipamentos de escalada, caixas eletrônicos, pousadas, restaurantes, lojas e cafés.  Paro em um para tomar um espresso com torta por cerca de 8 dólares.

Depois disso vamos andando pelas várias vielas de onde avistamos uma pedra bonita onde pensamos ter vias de escalada. Para chegar lá vamos passando pela periferia da vila, saímos da "Suíça" para entrar na "Bolívia" em poucas quadras.

Entramos num quintal e damos de cara com um homem amassando latinhas de bebidas. Ele nos permite passar. Olho dentro de sua casa e vejo o chão batido e a iluminação deficiente.

Chegamos na tal pedra mas nada de escalada, mas um belo mirante para o vilarejo. Sherpa escala muito bem, mas faz isso para obter renda.

Quem gosta mesmo de escalada por recreação somos nós gringos.

Voltamos a tempo para nosso confortável hotel para o delicioso jantar. As sapatilhas de escalada não saíram da mochila. 

Vila no caminho da trilha
Animais de carga
Trilha do acampamento base do Everest
Carregadores
Pedra com mantra

Namche Bazaar a noite
Rua de Namche Bazaar
Namche Bazaar
Dentro do hotel

17 de abril de 2017

Vôo pra Lukla e primeiro dia de trekking

Acordamos cedo e como era de se esperar houve bastante muvuca para organizar a bagagem de todos os 45 membros do trekking.  Nos dividimos em várias vans e driblando o trânsito da rua chegamos ao aeroporto

O terminal de vôos domésticos estava lotado, tipo filme indiano. Ficamos um tempão esperando o desembaraço para voar. Enfim quando entramos no terminal de embarque Ficamos sabendo que nosso vôo havia sido remarcado para as 11 horas. Mas qual?

Como o grupo era grande, tivemos que fretar 3 aviões. Isso porque o aeroporto de Lukla é minúsculo e só pousa teco teco.

Meu avião foi o último a decolar.  Depois das 13 horas. Um ônibus nos levou até a pista onde embarcamos num bi motor. Ele tinha um corredor e de um lado apenas uma fileira de cadeiras, e no outro duas.

Após mais uma enrolação, enfim decolamos e o caos urbano de Kathmandu foi ficando pra trás. Fomos entrando numa periferia com ruinhas de terra onde casas se alternam com plantações de arroz e enfim passamos a sobrevoar colinas, estas ainda bastante habitadas.

Bum determinado momento o avião fez um rasante para atravessar um passo e pouco tempo depois a aeromoça nos informa que iríamos pousar.

O avião vai descendo um vale e enfim toca a pista, chega na cabeceira e começa a retornar.  Não parece Lukla. Em inglês ouço "this is not Lukla". E não demora para repercutir em nossa língua.
O avião estaciona e o piloto nos informa: Em Lukla está ventando muito. Vamos esperar o tempo melhorar para decolar de novo. Talvez às 15 a gente consiga voar....

Ligo o celular e vejo que pega 3g.  Pelo Google vejo que estamos em Ramjatar. O aeroporto é menor que uma rodoviária, não tem nada a fazer a não ser esperar. Tomados pela preguiça deitamos embaixo da asa do avião e ficamos batendo papo e descansando.

Lá pelas 4 o piloto voltou e enfim conseguimos voar e pouco depois de 20 minutos fizemos um pouso tranquilo no famoso aeroporto de Lukla.

Apressados comemos alguma coisa e logo começamos a andar o resto do grupo já havia saído. Tínhamos uma reserva num lodge em Phakding, 2:30 horas depois.

Saímos quase tropeçando do aeroporto e cruzamos a cidadezinha de Lukla,  que tinha um centrinho muito charmoso com lojas, restaurantes e cafés.  A atmosfera é excelente, uma energia muito positiva. Estava no começo do trekking do mais famoso do montanhismo que já lia a respeito desde que era adolescente.

Saio na trilha junto com Pemba e a Karina e aproveito para perguntar tudo para nosso Sherpa. O nome das árvores, dos animais e das montanhas que dava pra ver.

A caminhada flue tranquilo. Todos andando com bom ritmo perdendo tempo para fotografar e filmar a pitoresca paisagem até que  noite nos pegasse.

Um sherpa começou a se destacar pela felicidade e bom humor. Pasang na verdade era filho de um sherpa com uma tamang.  Ele falava além das duas línguas, o nepali, que descende do hindu e inglês muito bem. No caminho fomos ensinando português pra ele:

_ Vai corinthians 
_ mexe a bunda 
_ Vamos vamos Brasil.


Foi isso o que ele aprendeu na primeira noite.

Chegamos em Phakding a tempo de jantar com o resto do grupo.

Conversamos bastante e logo fomos para nosso primeiro pernoite na trilha

Esperando no aeroporto de Kathmandu
Tirando uma fina com a montanha

Aeroporto de Ramjatar
Aeroporto de Lukla
Centrinho de Lukla
Enfim trilha!
Enfim trilha