Blog do Pedro Hauck: Serra do Marumbi
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18 de outubro de 2013

Pôr do sol no morro do Canal

Viver em Curitiba tem suas peculiaridades, uma delas é em relação ao tempo.
Curitibano tem sempre um guarda chuva fácil, anda de bota na calçada e sempre consulta a previsão. Eu mesmo já ganhei uma mania, tenho dois termómetros, um dentro e outro fora de casa e fico sempre de olho no tempo.

Em razão disso é dificil dar cursos de escalada aqui. Todos os que eu ministrei até hoje, desde a época do CPM, tiveram chuva no dia de uma prática, todos! Neste ultimo curso não foi diferente, escalamos no sábado e no domingo cancelamos, pois a previsão não era das melhores.

Uma outra peculiaridade de Curitiba é que as previsões de tempo sempre erram e neste domingo também não foi diferente...

Uma das minhas alunas, a Sandra, é minha professora de culinária e gastamos o domingo de manhã fazendo um delicioso yakissoba, responsável para dar aquele "bode" depois do almoço. Entretanto, lá pelas 3 da tarde percebi que a tal chuva não vinha e aí bateu aquela idéia: Vamos pro Morro do Canal!

E pra lá fomos, chegando no sitio do saudoso seu Zezinho enquanto todos já iam embora. Subimos o morro apressados e a tempo de subir a Pirilampo de tênis (pra economizar tempo) e ainda fazer a Viaduto, uma via muito bonita que há anos eu não escalava. Foi no término desta via que presenciei uma coisa que também há muito tempo eu não via, um belo pôr do sol no Morro do Canal.

Outra peculiaridade da cidade é a proximidade da Serra do Mar. O Canal mesmo fica apenas 40 minutos da minha casa (com mais 40 minutos de subida). Dá pra viver aqui e ver o pôr do sol todos os dias. 

Acho que isso compensa a falta de sorte com o tempo. Ver este pôr do sol compensou a falta de sorte com a má previsão de tempo. Pelo menos neste dia.

Fazendo a Pirilampo de tenis

Escalando a Viaduto de sapatilha.

Samuca na segue.

Parte superior da Viaduto

Samuca fazendo macaquice.

De olho nas vias




9 de setembro de 2013

15 anos de montanhismo

Neste final de semana comemorei meu "debute" no montanhismo e para isso nada melhor de fazer as coisas que mais gosto com os camaradas.

Sábado estive no setor 3 de São Luis do Purunã com o Otaviano, Carol, Andrey, Alessandro, Elcio e Lesiones. Guiei a Fel e entrei limpando o resto das vias. Quase não sobrou braço pra limpar a Cicatriz com o Elcio na saideira.

Domingo acordei as 3 da manhã, passei na casa do Paulo Marinho e depois com o Fiori fomos ao Marumbi. Fizemos o Olimpo e pela crista da lagartixa fomos até o Boa Vista e ainda encaramos o Leão, pra voltar no carro, no Dona Isabel, após 16 horas de caminhada. Cheguei em casa na primeira hora de segunda feira e capotei. Isso sim é que é comemoração!

Madre Teresa

Fel da Terra

Diedro da Fel da Terra

Setor 3
Chão do pó preto, dirt bags de Curitiba.

Cicatriz

Fim de tarde nos campos gerais.

Mata pluvial na trilha dos guardas do Marumbi

Cachoeira dos Marumbinistas.

Mar de nuvens.

Subindo o Olimpo.

Montanhas em meia laranja? piadinha de geomorfólogo.

Olha só a Lhama mudando de paisagens....

Até o Dino resolveu esticar a perna

Lagartixa
Campos de cima da serra.

Chegando no Boa Vista.

Comemoração.

Marumbi visto de outro angulo.

Serra do Marumbi em direção ao planalto.

24 de outubro de 2011

Itupava depois da reabertura

Junto com o pessoal do Conrados Adventure e da Beatriz Azevedo do Rio Grande do Sul, tive a oportunidade de descer o Itupava mais uma vez. Estava muito curioso para ver como ficou o caminho depois que foi reaberto, após 6 longos meses de interdição para que fosse recuperado.

Para quem está de fora da conversa, após a chuva trágica que caiu no Paraná em Março, diversas árvores caíram neste histórico caminho colonial e muita lama se acumulou sobre o calçamento de pedras. Por este motivo, o IAP, Instituto Ambiental do Paraná, fechou o caminho para que ele fosse recuperado.

Todos sabem como é lento o sistema publico e no Itupava não foi diferente. Sabendo das demoras burocráticas, o IAP estipulou um prazo altíssimo para a reabertura: 90 dias! Este prazo assustou os freqüentadores. Seria necessário tanto tempo para tirar as árvores e lama do caminho?

O fato é que eu não fazia o caminho há muito tempo e não sei apurar qual era o estado de degradação do caminho do Itupava. Porém o que eu sei é aquilo que todos sabem: Os 90 dias não foram suficientes para a burocracia do IAP. Foram necessários 4 longos meses até que o Edital de licitação fosse finalizado e que uma empresa assumisse o serviço e recuperasse o caminho. Esta empresa começou a trabalhar em meados de Agosto e no dia 15 de Outubro, um mês e meio depois, o serviço foi finalizado. No total foram 194 dias de interdição de quando foi anunciado o fechamento à data de reabertura.

O que eu vi no Itupava?

Bom, eu vi um Itupava muito semelhante àquele de 2007, ano em que foi restaurado com o financiamento do banco alemão KFW. O serviço está muito bem feito, além da lama ter sido retirada foram feitos diversos drenos para que a água da chuva não levasse mais sedimentos sobre o calçamento.

Além disso, vi diversos locais com o mato bem aberto e troncos de árvores recém cortados. Era os locais onde haviam caído as árvores grandes de março. Os trabalhadores não só desobstruíram o caminho, como também utilizaram a madeira dos troncos para segurar a erosão e fazer contensões.

Mesmo depois de tanto trabalho, eu afundei meu pé na lama diversas vezes, o que é normal, afinal ali é a Serra do Mar, chove muito e há sempre muita lama. Imagino como deveria estar na época da interdição? Por mais que tenha sido feito um bom trabalho, julgo ser impossível resolver o problema da lama sem grandes interdições. Alias eu julgo que ir ao Itupava sem lama é como ir à Roma sem ver o Papa. Do jeito que está ficou bom.

Interdição, algo necessário?

Pro meu gosto acho que foi desnecessária a interdição, pois não acho arriscado pisar na lama e nem pular tronco de arvore caído, isso faz parte da aventura de percorrer o Itupava. Porém se o IAP o fez, acredito que tenha sido baseado em algum relatório técnico.

Apesar do bom serviço, minha opinião é que a interdição de 6 meses, nos exatos melhores meses do ano para a prática de trekking foi exagerada. Analizando o que aconteceu, vemos que o caminho demorou o dobro de tempo do previsto para a entrega, mas o tempo gasto em trabalhos na trilha foi a metade desta previsão inicial de 90 dias.
 
Tomara que os técnicos do IAP façam uma boa reflexão sobre estes acontecimentos e que consigam melhorar seu trabalho no futuro. Abaixo eu reproduzi um texto do Marcelo Brotto, montanhista e engenheiro Florestal, que fala dos impactos econômicos do fechamento do Itupava. O texto é bem conclusivo, vejam na íntegra:

Impacto econômico da interdição do caminho do Itupava
Na base de dados do IAP referente à visitação nas UCs estaduais no ano de 2010 consta o total de 13.961 visitantes para o caminho do Itupava. A interdição da trilha para manutenção durou 6 meses, de abril a outubro de 2011. Dividindo o total de visitação por 12 meses e depois multiplicando pelo período de interdição o resultado são 6.980 pessoas, que é o valor estimado de pessoas que deixaram de circular pela trilha no período em questão. Agora, inferindo sobre o impacto econômico que a interdição de trilha causou temos o seguinte cálculo.

Seguindo a base de cálculo proposta por Medeiros et al. (2011, p.21, quadro 5) para o gasto médio por visitante (campista) nos parques nacionais, em regiões de grandes localidades (C) como é o caso da região metropolitana de Curitiba, temos R$ 28,00/dia. Isso multiplicado por 6.980 pessoas resulta em R$ 195.440,00, que é o montante em dinheiro que deixou de circular no “roteiro turístico” Itupava. Esse valor gera em impostos (27,5%) aproximadamente R$ 53.746,00 de arrecadação pro Estado. Se dividir esse valor por 12 meses temos R$ 4.478,83. Seria razoável contratar dois funcionários para trabalhar 5 dias por semana na manutenção da trilha ao longo do ano, mais gastos com material. Dessa maneira a trilha estaria permanentemente conservada e nunca fecharia. Mas vamos considerar que a opção pela licitação seja a melhor. O processo de licitação dura 3 meses.

Os meses mais propícios para acontecimento de grandes tempestades, com choque entre massas de ar frio e quente é o início do outono, março/abril. As águas de março como diria Tom Jobim. Para estar com uma empresa contratada em março você abre a licitação em dezembro, depois de 1 funcionário em 1 dia ter caminhado pela trilha fazendo o levantamento.

Você acresce 30% a mais de serviço considerando que vai haver chuvas  fortes até a assinatura do contrato. Pois bem, em abril você assina o contrato e se for realmente necessário interdita a trilha por 15 dias. Em 15 dias aproximadamente 574 pessoas passam pela trilha, multiplicado por R$ 28,00/dia resulta em R$ 16.072,00 que é o montante de dinheiro que deixaria de circular no “roteiro turístico” Itupava. Essa foi apenas uma contribuição para ajudar a refletir sobre o futuro.

Marcelo L. Brotto

Referências:
Instituto ambiental do Paraná - IAP, 2010. Números de Visitantes nas Unidades de Conservação Paranaense – ano 2010. Disponível em <http://www.uc.pr.gov.br/arquivos/File/Tabelas_Ucs/2010_Visitacao_09_03_11.pdf> acesso em 10/08/2011.

Medeiros, R.; Young; C.E.F.; Pavese, H. B. & Araújo, F. F. S. 2011. Contribuição das unidades de conservação brasileiras para a economia nacional: Sumário Executivo. Brasília: UNEP-WCMC, 44p.












6 de setembro de 2011

Escaladas do Parque do Lineu, Marumbi

O Marumbi não tem espaço só para vias tradicionais, na verdade muitas das vias de lá se encaixam mais no perfil de vias esportivas do que tradicionais, isso porque a montanha que mais tem afloramento rochoso, o Abrolhos, é "quebrada" em diversas degraus.

O degrau que tem as vias mais clássicas da montanha é o terceiro, de onde há um visual maravilhoso do resto da Serra do Mar e alguma das vias mais clássicas de lá, como a Enferrujados, Maria Buana, Bandeirantes e outras.

Neste final de semana pude ter a chance novamente de escalar por lá junto com o Waldemar Niclevicz, que me botou pra escalar a Morcego, Maria Buana e Vaca Preta, vias lindas onde eu pude comprovar que o mito de que a escalada no Marumbi é difícil é de fato verdade, apesar destas vias serem muito bem protegidas.

Tá cada vez mais raro ter finais de semana com tempo tão bom. Aproveito pra mandar um abraço pra todo mundo que esteve comigo por lá neste belíssimo final de semana de sol. A Camila Dias, Waldemar Niclevicz, Silvia Bonora, Camila Armas, Minhoca, Victor Hugo, Liamar e seus amigos da Letônia Дмитрий e Артур.

Marumbi visto do Rochedinho

 Rio Taquaral

 Escalando a Morcegos



Waldemar na Morcego

11 de agosto de 2011

Enferrujados

Estive escalando uma das vias mais tradicionais do Marumbi, a Enferrujados.

Esta via tem uma história muito bonita, que não vale a pena ficar repetindo, sendo que ela está muito bem contada no livro Montanhas do Marumbi do Farofa. Pra terem uma idéia, ela começou a ser conquistada em 1959, mas só foi concluida em 1972. Por que da demora? Bem, basta olhara para o paredão negativo do Abrolhos para ter a resposta.

Se foi dificil a conquista, hoje a repetição não é um grande problema. É trabalhoso e bastante cansativo, mas nada de outro mundo. É necessario cuidado somente com o estado dos grampos, pois muitos já tiveram os olhais rompidos. Para evitar este problema, protegi o tempo todo usando fitas de escalada com nós focinho de porco.

Com cerca de 100 metros de altura, leva-se cerca de 6 horas até o final, que é uma belo plato, ainda meio distante do cume do Abrolhos. O rapel é cuidadoso, sendo necessario atenção pra se tiver com uma corda simples, descer até onde começa o negativo, para não ficar pendurado no vão sem corda até o chão.

É uma via extremamente fotogênica, como podem ver nas fotos abaixo.

Preparando-se para subir

Primeira enfiada e o parceiro quase dormindo na base...


 Tacio vindo de jumar 

 Vista para a Torre dos Sinos

Já no rapel


 Escalando, foto do Tacio

 Chegando ao final da primeira enfiada

 O rapel mais bonito do Paraná, mas sem uhu!