Blog do Pedro Hauck: experiência
Mostrando postagens com marcador experiência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador experiência. Mostrar todas as postagens

7 de agosto de 2017

Thule Experience 2017

Participei do Thule Experience deste ano, um evento promovido pela Thule do Brasil para mostrar as novidades da marca deste ano e as tendencias para o ano que vem.

Recebi o convide do Giuliano, o CEO da marca aqui no Brasil e tive a satisfação de poder apresentar uma palestra sobre minhas ultimas experiências na montanha, além de conhecer outros atletas e empresários do meio da montanha no Brasil. 

Foi uma grande satisfação conhecer pessoalmente pessoas como Luis Yoiti da Bivak, Pedro Leite da Adrena, o guia Rodolpho da Serra Fina e tantas outras pessoas que já conhecia pela internet. Além é claro de finalmente poder conhecer o Refúgio Serra Fina, do caprichoso Mauricio Anchovas.

Agradeço muito à Thule do Brasil por acreditar em meu potencial e também por nos equipar com produtos de tanta qualidade que uso em minhas expedições. 

Abaixo deixo algumas fotos que surrupiei dos participantes. Muito obrigado a todos!




 









19 de maio de 2015

Fui pré selecionado para o Desafio Discovery



Eu nunca participei de um programa de TV que não fosse entrevista. Talvez essa seja a chance, pois fui pré selecionado para o Desafio Discovery, um reality show da Discovery Channel.

A motivação é grande, pois eu tenho uma grande curiosidade em saber como é um programa destes. Será que vencer este desafio é mais difícil que escalar uma montanha? Uma coisa é certa, a galera pré selecionada é bem preparada. 

Além de mim há outros 3 montanhistas. O Rafael Wojcik, minha amigo, sócio e parceiro de cursos de escalada e montanha, Victor Carvalho, também amigão, com quem dei alguns cursos de escalada em São Paulo e que todas a experiência e treinamento por ser bombeiro militar e o Marcio Bruno, pessoa que conheci pessoalmente durante um pega na rocha na falésia da Divisa SP e também topei numas festas da Go Outside. 

Fora eles têm a galera que faz corrida de aventura que são sempre bem fortes, pedalam, nada, correm e treinam como loucos. Em termos de preparo físico certamente levam vantagem. No entanto acredito em minha experiência em mais de 17 anos de montanhismo, onde já escalei montanhas geladas e tropicais. Abri picada na mata atlântica enfrentando muita quiçaça e também abri rotas com neve no peito. Estico corda em parede de rocha e sei lidar com privações e com minha mente, pois driblar o medo é uma tarefa que poucos sabem fazer.

Vamos ver no que dá. Enquanto isso abaixo está o vídeo de apresentação que enviei ao canal e que me ajudou a seleção.

:: Site do Desafio Discovery

28 de abril de 2015

Indicação ao prêmio Mosquetão de Ouro e meus palpites


Eu o Maximo fomos indicados ao Prêmio Mosquetão de Ouro, que é uma premiação nova criada pela CBME (Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada) inspirada no famoso Piolet d’Or.

Esta premiação tem como objetivo premiar os maiores feitos do montanhismo brasileiro e como montanhismo é algo muito abrangente existem 4 categorias: 

- Montanhismo (trilhas, travessias e alta montanha)
- Escalada (escalada tradicional, móvel, big wall e conquistas)
- Escalada Esportiva (boulder e escalada esportiva em rocha)
- Montanhismo e Sociedade (contribuições para a organização do montanhismo, acesso e conservação)

Fomos indicados na categoria montanhismo por termos finalizado em 2014 o projeto de ter escalado todas as montanhas com mais de 6 mil metros de altitude na Bolívia

Fora a gente, houve diversas outras realizações interessantes o que demonstra que o Brasil não é mais coadjuvante no cenário do montanhismo mundial. Inspirado no meu amigo Victor Carvalho que hoje escreveu a respeito desta premiação, irei dar minha opinião sobre os destaques do prêmio. 

Antes de mais nada queria salientar que o nível está muito bom e que independente do resultado todos os indicados merecem o prêmio e que abaixo está apenas uma opinião. 


Categoria montanhismo:

Sou suspeito para falar desta categoria, pois sou um dos indicados. No entanto, não acho anti ético tecer comentários sobre minha indicação e da colega Ana Elisa Boscarioli.

A Ana em 2014 escalou o Denali, montanha mais alta da América do Norte e com esta montanha finalizou o projeto 7 cumes, que é um projeto bastante famoso e que atrai bastante mídia. O ponto forte deste projeto, na minha opinião, é justamente a escalada do Denali e a do Everest, pois ela é a montanha mais alta do mundo. Ana foi o quinto brasileiro a fazer o projeto, mas a primeira mulher. Para realizar o projeto, a Ana enfrentou muitos desafios e numa das etapas ela foi sequestrada pelos índios da Papua Nova Guiné e teve que desistir do Carstenz para voltar um ano mais tarde. No entanto é preciso ressaltar que as 7 montanhas deste projeto são bastante conhecidas, estruturadas e muito escaladas.

Eu e o Max, no entanto, escalamos 14 na Bolívia. Fizemos todas as expedições àquele país por conta própria, as últimas, inclusive, fomos de carro até lá, o que em si já é uma dificuldade (vocês não têm idéia de como é complicado dirigir na Bolívia). Então há a questão da autonomia e também o fato de que muitos destes 6 mil bolivianos são montanhas remotas e pouquíssimo escaladas, como o Uturuncu e o Chaupi Orco. Há outros que são difíceis, como o Illampu e Chearoco. Outro problema é que a cartografia da Bolívia é muito ruim e não sabíamos quais eram os 6 mil daquele país. Resolvendo este problema, descobrimos que uma montanha que era tida como 5 mil tinha 6008 metros, o Capurata. Ou seja, houve muita pesquisa e exploração. Assim, neste novo formato com 14 cumes, só não fomos os primeiros no mundo a realizar pois um pouco antes o equatoriano Santiago Quintero, usando os dados que o Maximo lhe deu, fez antes. (leia mais o que escrevi deste projeto)

Acho que houve poucos indicados nesta categoria. Se eu pudesse também indicaria o Waldemar Niclevicz pela escalada no Ausangate no Peru e Marcos Costa pela escalada do Daugou Leste na China.

Categoria Escalada

Nesta categoria eu acho que o destaque é a escalada do Lucas Marques e Sergio Ricardo repetindo a via Place of Happiness em 1 dia. Esta magnifica via aberta pelo Stefan Glowacz, Ed Padilha e outros monstros mistura dificuldade extrema com parede e muitos escaladores de altíssimo nível não conseguiram escalar ela. Fazer esta escalada em um dia apenas é um feito e tanto.

Categoria Escalada Esportiva

Acho que novamente o Lucas Marques se superou nessa. Os outros indicados realizaram feitos mais atléticos e tecnicamente mais difíceis. No entanto escalar uma via de 8c em solo!!! (via Sinos de Aldebarã) Pra mim a realização deste feito ultrapassa o limite esportivo para um domínio espiritual dos próprios medos. Bastaria dizer que qualquer erro nesta escalada poderia fazer com que ele nunca mais escalasse na vida. Pra mim este feito foi o maior de todos os indicados e merece meu voto e respeito!

Categoria Montanhismo e Sociedade

Pessoalmente tenho uma grande admiração pelo trabalho de Pedro da Cunha Menezes. Não que os outros indicados não mereçam, mas acho que a contribuição de Pedro no campo das idéias e como exemplo quando elas foram postas em práticas é fenomenal!

Pensando num montanhismo do futuro, acho que os valores que Pedro defende são primordiais para que novos mosquetões e piolets de ouro continuem existindo. Infelizmente em nosso país os pilares principais da cultura do montanhismo que são a aventura e a liberdade são ameaçados por visão demasiadamente conservadoras sobre a questão da presença do homem em ambientes naturais e é isso o Pedro trata.
Pedro da Cunha Menezes mostrou como é importante haver visitação nos parques, como é importante valorizar a experiência dos visitantes, dentre eles nós montanhistas e outros esportistas. É só agregando valor às unidades de conservação que de fato vamos conseguir ter a preservação que queremos. Meu voto vai pra ele!


14 de novembro de 2014

O Brasil no Topo do Mundo

Hoje eu tive o prazer de receber o meu exemplar do livro O Brasil no Topo do Mundo, o mais novo Livro de Waldemar Niclevicz.

O Brasil no Topo do Mundo é um livro belíssimo. Passei horas apenas folheando.

Este livro é uma biografia fotográfica do Waldemar, que é o maior montanhista brasileiro de todos os tempos. Maior por que é o mais experiente e maior por que é sem dúvida quem mais incentivou o montanhismo no Brasil e quem certamente, ao longo dos 135 anos do montanhismo brasileiro, o indivíduo que deixará o maior legado.

Dias atrás, um amigo da Geologia da UFPR fez um desafio para que eu revelasse quais foram os 10 livros que mais me influenciaram. Bom, até hoje eu não fiz a tal lista, pois é uma lista muito difícil de ser feita, entretanto dentro dela certamente está o primeiro livro que li do Waldemar, Everest: O Diário de uma conquista. Para quem não sabe, ele tem 4 livros!

Como eu, centenas, milhares de pessoas leram os livros do Waldemar. Mais do que isso ouviram suas palestras e se motivaram com suas histórias nas montanhas. Alguns se motivaram a produzir mais, outros a seguir os seus passos.

Foi uma grande felicidade, cerca de 10 anos que fiz esta leitura, estar nas páginas desta história.

:: O Brasil no topo do Mundo







Waldemar e eu no cume do Três Cruces Sur, Janeiro de 2013.

8 de abril de 2014

Palestra, publicações e Programa na Mochila

Trabalho a todo vapor! Além das obrigações, nos últimos dias andei escrevendo um pouco sobre o que gosto (montanha), atualizando minha coluna no AltaMontanha com um tema muitas vezes negligenciado pela maioria dos escaladores, o uso do Capacete: http://altamontanha.com/Colunas/4337/capacete-na-escalada-usar-ou-nao

Ainda atualizando espaços de opinião, tive a oportunidade de relatar minha experiência em organizar um evento de montanhismo que ocorreu no mês passado, O Dia das Mulheres na Montanha, em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres (8 de Março). Este relato foi publicado na revista Go Outside: http://gooutside.uol.com.br/2758

E não é só isso. Daqui a pouco vai pro ar mais um Programa na Mochila, onde irei fazer uma apresentação especial com o tem: "Geologia das Montanhas". Claro que é um tema grande com muita coisa. A linguagem será para os não especialistas, focado pra galera entender um pouco sobre como se formam as montanhas, daqui e de locais como os Andes. O link é http://twitcam.livestream.com/g047x

E pra fechar, amanhã, quarta dia 9, irei apresentar uma palestra no CPM (Clube Paranaense de Montanhismo) com o tema: Antes dos primeiros: O montanhismo dos Incas.Trata-se de uma palestra onde irei falar sobre o conhecimento que envolve este tema interessantíssimo, que inclui descobertas de múmias e objetos deixados por este povo pré colombiano facinante. Para acabar, irei narrar minha escalada no Vulcão Llullaillaco, de 6740 metros que é onde fica o sítio arqueológico mais alto do mundo. Apareçam!

Outras palestras surgirão e em breve irei divulgar...

Mulheres na montanha: Maria Tereza Ulbrich ilustrou a matéria na Go Outside.

Capacete na escalada: Rafael Wojcik e eu, quase sempre usamos, quase....

Incas na montanha. Auto retrato no cume do Llullaillaco, montanha de 6740m onde fica o sitio arqueológico mais alto do mundo!

30 de março de 2014

Loja AltaMontanha: Minha loja de equipamentos de montanhismo


Em 2014, junto com dois grandes amigos, Rafael Wojcik e Hilton Bencke, tornamos um sonho em realidade: Inauguramos uma loja virtual de equipamentos de montanhismo, a loja AltaMontanha.

Após 10 anos de existência, enfim o AltaMontanha.com, que já era o maior site de montanhismo do Brasil, enfim ganhou sua loja própria de equipamentos. São equipos técnicos de escalada em rocha, gelo, trekking, trabalho em altura e até mesmo produtos para trabalho de campo de Geologia!

Confira nossos produtos e preços especiais, com 10% de desconto na compra a vista no Boleto: www.lojaaltamontanha.com

 Veja por que comprar seus equipamentos em nossa loja:

1) Comprando na Loja AltaMontanha, você contribuirá para o AltaMontanha.com manter seu trabalho de informar gratuitamente a comunidade de esportes de montanha no Brasil.

2) Mantendo o AltaMontanha no ar, além de obter notícias e artigos técnicos de qualidade, ainda ajudará a manter no ar um espaço de opinião, com as aventuras e pensamentos através das colunas de montanhistas de destaque. Ainda mantemos no ar o site Rumos, que contém dicas e tracklogs de trilhas, locais de escalada e montanhas.

3) Comprando no AltaMontanha, você estará ajudando pessoas que são instrutores e abrem vias de escalada, fomentando toda uma nova geração e ensinando os melhores e mais seguros procedimentos, tanto em rocha quanto em gelo.

4) Comprando no AltaMontanha, você está apoiando pessoas que inovam no esporte, pessoas que estão sempre desafiando e impondo novos limites ao montanhismo brasileiro, com projetos esportivos que se destaque no meio.

5) Comprando no AltaMontanha, você estará auxiliando o trabalho voluntário de federações que representam o montanhismo e escalada com autoridades e defendem nossos valores e objetivos. Foi o que aconteceu com o surgimento de leis absurdas que interfeririam na prática livre e amadora de nosso esporte, mas que foram alteradas por conta da ação de pessoas envolvidas com o portal.

6) Comprando no AltaMontanha você estará apoiando projetos contra a proibição do montanhismo. Foi o que aconteceu com o Projeto Escalada no Parque do Monge, onde conseguimos a promessa de que a escalada deixaria de ser proibida nesta importante Unidade de Conservação paranaense.

7) Comprando no AltaMontanha você estará contribuindo para a realização de eventos no meio, como exemplo o Dia das Mulheres na Montanha.

8) O AltaMontanha também quer ajudar clubes e federações, com parcerias e descontos especiais aos associados.

Estes são apenas alguns dos argumentos para você comprar em nossa loja, uma loja feita por montanhistas pró ativos que oferecem retorno ao esporte e que tem compromisso com o meio, inclusive o de oferecer equipamentos a preço justo. Visite nosso site e confira você mesmo.

A loja AltaMontanha é a loja que contribui com o montanhismo brasileiro!

21 de novembro de 2012

Seja doador de medula óssea

Hoje fui à um hemocentro e me cadastrei como doador de medula óssea. Confesso que nunca pensei nesta possibilidade e na verdade nem sabia direito como seria doar medula óssea, porém aprendi que isso pode salvar uma vida.

É claro que estou falando nisso por causa da doença do Paulo Roberto "Parofes", foi por conta do apelo dele que resolvi ser um doador.

 Capa do site da Go Outside, onde foi divulgado o apelo do Parofes para que as pessoas doassem suas medulas.

Minha experiência não durou sequer uma hora, isso porque eu ainda aproveitei e doei sangue. O procedimento para ser doador de medula é simples: Preenche-se um cadastro e depois disso é coletada uma amostra de sangue.

Esta amostra irá para laboratório, onde será analisado seu perfil. Se uma pessoa que tiver compatibilidade ao seu tipo de medulo estiver na lista de espera de doação, aí você será contactado e aí sim ocorrerá a coleta, que não atrapalhará a vida de ninguém.

Para saber melhor como doar a medula, acesso o site do REDOME.

Para quem não sabe o que aconteceu com o Parofes, recomendo a leitura destes artigos:
http://www.altamontanha.com/Colunas/3542/o-meu-everest
http://www.altamontanha.com/Colunas/3700/pedido-de-ajuda

Com o Tacio e o Parofes no cume de Agulhas Negras num dia de escalada perrengosa em 2010!

17 de outubro de 2012

Lançamento de livro sobre pesquisas nos Campos Gerais

O IAP (Instituto Ambiental do Paraná) acabou de lançar mais uma coletânia de pesquisas. Desta vez com artigos sobre os Parques de Vila Velha, Guartelá e do Cerrado.

Nesta nova edição conto com um artigo: Vila Velha e as origens dos Campos Gerais e das Florestas de Araucária.



Neste artigo, faço uma revisão do conhecimento sobre as origens fitogeográficas da paisagem dos campos gerais, que abrangem ecossistemas tão opostos:

O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa – PR, abriga ecossistemas de campos e florestas subtropicais em total oposição sucessional. Dúvidas sobre as origens de tal paisagem conduziram o autor a buscar pesquisas paleo palinológicas e comprovar as idéias pioneiras de Maack que afirmavam que os campos eram coberturas vegetais relictuais do período mais seco e frio da última glaciação, há 10 mil anos atrás. Além de confirmar esta hipótese, o autor ainda faz importantes considerações sobre as origens das florestas subtropicais e a evolução do Domínio Morfoclimático dos Planaltos das Araucárias.

13 de outubro de 2011

Neblina na Graciosa

Na Serra do mar paranaense existem alguns passos entre os blocos montanhosos que foram históricamente utilizados como vias de passagem entre o planalto e o litoral. Um dos passos mais famosos é o da Graciosa, que recebe o nome errôneo de “Serra”, mas que na verdade é um passo de montanha: O ponto mais baixo entre dois picos pertencentes à mesma aresta, que no caso aqui é o ponto mais baixo entre duas serras: A Serra do Ibitiraquire e da Farinha Seca.

Por conta de ser um passo, a Graciosa é um dos locais que mais chove na Serra e isso não é difícil de explicar. O ar no planalto é sempre frio, mas no litoral é quase sempre quente e úmido. Esse ar proveniente do oceano invade o continente e o local onde as duas massas se encontram é sempre ali, naquele “buraco” chamado graciosa.

Ontem, feriado em plena quarta feira, não foi diferente e ao chegarmos ao Recanto Engenheiro Lacerda, nas orilhas do Morro do Sete na Estrada da Graciosa, fomos brindados por uma densa neblina e fina chuva.

Logo nossos trajes mateiros chamaram atenção dos vendedores de pastel e caldo de cana, que mostraram grandes conhecedores do mato da região, nos alertando sobre suas “pesquisas” onde falavam de tuneis dos jesuítas e cidades perdidas na Serra. É a imaginação popular se fazendo valer de fatos verídicos, como os túneis da usina Parigot de Souza. Um dos contadores de história foi além e disse que encontrou 600 kg de ouro! Mas foi roubado depois da descoberta e hoje vende cana na beira da estrada, que azar hein?

Deixando as lorotas pra trás, entramos na floresta pelo marco 22 da estrada da Graciosa e logo fomos enxugando com nossas roupas a umidade retida pelas folhas das plantas. É a Floresta Ombrófila Densa Montana, um dos ecossistemas da Mata Atlântica mais exuberante, com diversos andares de arvores e alto estágio de sucessão ecológica. As árvores mais altas, quase todas da família das Lauraceas, atingem facilmente os 40 metros de altura. Abaixo delas, há arvores mais baixas, que vivem à sombra das maiores, Xaxins e Palmitos são os mais comuns, ou pelo menos eram.

O Palmito é extraído violentamente naquela região. Natureza selvagem é apenas aparência, pois os palmiteiros e caçadores já estiveram em todos os lugares e vira e volta encontramos com vestígios de suas atividades, cartuchos de armas, acampamentos abandonados e lixo, que rapidamente são “comidos” pela floresta úmida.

Se por um lado os clandestinos conhecem cada palmo da mata, a ciência ainda sabe pouco sobre o lugar. Ali se desenvolve um tipo de planalto levemente ondulado onde a base dos rios está a mais ou menos 580 metros de altitude e os topos, coalhados de matacões e planos, se desenvolvem a 700 metros, indo perder altura na direção norte, ao sopé da pequena cordilheira dos morros Arapongas, Tangará e Cotoxós.

Descobrir detalhes sobre o relevo e as rochas deste planalto é o objetivo meu, de Edenilson Nascimento e Mikael Arnemann Batista, amigos da montanha e de pesquisas geológicas. Nossas dificuldades esbarram na densa vegetação que encobre afloramentos, nas constantes chuvas e até mesmo na presença dos ilegais, uma vez que não sabemos o que eles podem achar de nossa presença.

Há algum tempo, o Mikael e o Otaviano encontraram um homem armado na trilha, eles se esconderam, mas o encontraram mais tarde. O homem foi gentil, mas achou ruim que “turistas” colocassem fitinhas nas árvores. Eles nada disseram sobre a marcação das trilhas feitas por montanhistas.

Penetrando a densa floresta, fomos observando as rochas e o relevo planáltico, tecendo algumas considerações sobre sua curiosa origem, até que, de repente, a trilha sumiu no meio do mato.

Naveguei por algum tempo apenas com o GPS, que dizia por eu havia passado por lá alguma vez. Na verdade, a última vez que fiz isso foi em 2009, quando junto com o Fiori e o Elcio fizemos a travessia Fazenda da Bolinha x Ciririca x Estrada da Graciosa em dois dias. Naquela oportunidade, a trilha estava aberta, mas agora as taquaras, cipós e samambaias haviam tomado a trilha.

Confiando na margem de erro de nossa tecnológica ferramenta e com o faro na trilha, fomos encontrando o caminho por entre a vegetação e assim conseguimos chegar ao rio Mão Catira. Já era quase uma da tarde e ficaria muito arriscado tentar chegar a nosso destino naquele dia, o enorme dique de diabásio localizado uma hora caminhando por dentro do rio acima.

Deixamos o objetivo para outro dia e retornamos em silencio por entre a escuridão da floresta. No caminho de volta encontramos pegadas de outros visitantes e suas jaquetas penduradas num galho de arvore. O que será faziam ali?

A floresta da Graciosa esconde muito mais do que mitos de tuneis ocultos, ouro de Jesuítas e cidades engolidas pela selva. Esconde também muitos indícios sobre as origens e evolução da serra do mar e será um local onde voltarei muito mais vezes.

 É assim quase o tempo todo!

 Deni e Mikael no marco 22

 O marco e a estrada da Graciosa

 Dentro da floresta

 Matacões de granito





 Dique de diabásio






5 de abril de 2011

Curso AltaMontanha 90 Graus de escalada em rocha - Abril 2011

Na ultima semana foi realizado em São Paulo e em Pedra Bela o primeiro curso básico de escalada em rocha do AltaMontanha.com/90 graus.

O curso foi excelente, os alunos foram muito bem. Tenho certeza que todos continuarão na escalada e que os encontrarei diversas vezes escalando. Não ajudei a formar apenas novos escaladores, vejo nestas pessoas futuros parceiros.

É neste intuito o curso AltaMontanha/90 Graus irá para sua segunda edição em Maio (mais detalhes em breve!). Bom pra mim, já que ensinar é uma motivação que eu tenho para seguir adiante e também para São Paulo, que teve uma decaída na escalada, mas que logo terá uma nova geração muito boa frequentando as montanhas e falésias do estado. Bom também pro AltaMontanha, que segue com seus objetivos de fomentar o montanhismo brasileiro e pro Ginásio 90 Graus, que está se tornando cada vez mais uma referência na escalada em rocha!

Aos meus alunos, muito obrigado! Com este curso, eu acabei de ensinar formalmente 50 pessoas a escalar em rocha. Ou seja, dei cursos formais de escalada pra tudo isso de gente! Não sei nem dizer os cursos informais que já dei...

Claro que nem todos seguem escalando, mas tenho orgulho de ver muitos ter ido em frente e inclusive escalarem melhor do que eu. A minha expectativa é que muitos destes meus alunos do curso sigam este caminho.

A turma toda reunida

 Aulas teóricas

 Meus amigos instrutores: Tacio e Victor


 Aula prática