Blog do Pedro Hauck: Expedição Bolívia 2009
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7 de setembro de 2009

Videos do Illampu

O Illampu é a montanha de seis mil metros com rota normal mais difícil da Bolívia. Até hoje, só tive noticias que o Waldemar e o Irivan como brasileiros que escalaram a montanha.

Apesar das complicações técnicas, não achei que o Illampu fosse tão dificil, mesmo com problemas em nossa estratégia, que nos levou a demorar 18 horas para fazer o cume voltar ao acampamento.

Desta vez tivemos sorte, pois pegamos tempo bom na montanha e não foi problema chegar tão tarde no cume. Claro que a demora nos levou à um grande cansaço e na descida tivemos que abandonar equipamento para rapelar. Deixamos 6 estacas de gelo na parede do Illampu.

Durante a escalada eu fiz algumas imagens com a minha camera. Não são lá aquela qualidade, mas mostra um pouco de como é esta montanha tão pouco frequentada por brasileiros.

2 de setembro de 2009

Os malucos que a gente conhece nas viagens


Quando vamos aos Andes ou viajamos pelo Brasil com o objetivo de escalar, é normal encontrar gente com os mesmos propósitos aventureiros como os nossos.

Nesta viagem na Bolívia não foi diferente. Dentre os aventureiros e montanhistas que conhecemos podemos citar:

Diogo e Gabriel de Santa Catarina:

Esses caras são machos! Se a gente se achava de ter ido para a Bolívia com um veículo de passeio para escalar, esses então... Foram com um FIAT Uno!

Os dois tem muitas histórias de aventura em locais como o Aconcagua e a Bolívia. Diogo já foi pra lá pedalando e andando de carona com caminhoneiros. Fomos juntos para o Sajama, mas ele não puderam fazer cume e voltaram antes para o Brasil.

Gabriel e Diogo em Villa Sajama com seu valente Fiat Uno


Chris Barnecut:

Chris é um motoqueiro de Boulder, Colorado. Ele veio dirigindo sua moto dos EUA até a América do Sul. Conheci ele num restaurante e dei umas dicas de viagem. Por um acaso ele está no Brasil neste momento.

Chris tem um blog com fotos muito bacanas. Passem lá para dar uma olhada: The Longest Friday.

Chris e sua moto

Isabel Suppé.

Ela tem nome latino, mas é da Alemanha. Entretanto nunca vi uma alemã tão sulamericana. Isabel se considera argentina de adoção, não é por menos, ela mora lá há 8 anos e se dedica à escalar montanhas. Ela escalou o Illampu com a gente.

Isabel está montando um site sobre escaladas nos Andes, chama-se Climbing South America.

Maximo e Isabel esperando um "Lomito"

31 de agosto de 2009

Videos do Ancohuma


Agora que estou em casa e já tenho acesso novamente à uma internet um pouco mais veloz, estou aproveitando para publicar alguns videos que foram feitos nas duas últimas montanhas que escalamos na Bolívia e para começar vou postar os do Ancohuma.

Escalamos esta montanha com o pior tempo possivel, por isso tudo o que você verá será o que vimos lá em cima: Nada!

Mesmo assim vale a pena ver, pois muitos me perguntam o que é um "white out" ou quais são as piores coisas na montanha. Para quem me perguntou, a resposta está aí!

25 de agosto de 2009

Chochis, o arenito pouco conhecido de Santa Cruz - Bolívia


Na estrada que liga o Brasil à cidade de Santa Cruz de La Sierra na Bolívia há, a cerca de 250 Km da fronteira, um lugar muito bonito e pouco conhecido pelos brasileiros, Chochis.

Trata-se de uma grande concentração de morros residuais de arenito vermelho, cuja formação geológica desconheço, mas que se parece muito com nossa formação Botucatu, dos arenitos que formam a Cuesta onde fica o Morro do Cuscuzeiro, um dos lugares que mais escalei em minha vida.

Se o arenito de Chochis for o mesmo, ou parecido com o arenito do interior de São Paulo (que eu acho que não é, pois ali deve ser um outro Craton), isso significa dizer que esta região é um paraíso da escalada, pois os afloramentos rochosos são muito grandes e bonitos e bastante fendados.

O destaque fica para um morro testemunho, aos moldes do que é o Cuscuzeiro, mas mais delgado e mais alto, que fica dentro de uma propriedade de Igreja.

Não sei se lá em Chochis há vias de escalada e nem sei se alguém já se aventurou por lá. O fato é que o local é bonito e perto e fica então o convite para o escalador aventureiro que queira viajar e conquistar vias em lugares pouco conhecidos e exóticos. Eu acho que vale a pena explorar!

Acordando de manhã após acampar ao lado da estrada.

Paisagem de Chochis.

Morro testemunho de Chochis.

Mais da paisagem de Chochis, note as paredes atrás.



O morro tem cerca de 100 metros.



Atravessando os trilhos do trem da morte!

Não sei como foi acontecer isso!?

24 de agosto de 2009

Descendo os Andes bolivianos

:: Comece a ler o relato desta expedição desde o começo
:: Leia a parte que antecede este relato

A partir do altiplano, que se encontra a uma altitude de 4200 metros, a descida até a região dos llanos da Bolívia é bem gradual no começo e abrupto ao final.

Saindo das estepes secas do altiplano, entramos em vales igualmente secos que vão ganhando vegetação com a perda de altitude chegando em Cochabamba, que fica em um grande vale seco, a 2800 metros, mas que devido à presença de água há algumas árvores e algum verde.

Saindo de Cochabamba, há apenas 50 Km da cidade, entramos em um vale e começamos a descer. Lá o verde toma conta e as rochas ficam para trás.

De repente o céu azul desaperece e a neblina começa a tomar conta. Aparece uma chuva fina e a aparência da paisagem é igual à da Serra do Mar. Rios caudalosos aparecem ao lado da estrada e é preciso tomar cuidado com as curvas e o tráfego.

A vegetação é exuberante e os caminhões transportam o resultado da presença do homem em meio à floresta densa.

O mais impressionante é que esta exuberância dura pouco, ela está somente presente no sopé da cordilheira, pois lá em baixo a vegetação é bem mais rala e seca, é o Chaco Boreal.

Esta faixa verde entre os 800 e os 2000 metros de altitude tem um nome, chama-se Yungas e é muito importante para a vida e a economia da Bolívia, pois é a região fértil mais próximo de onde vivem as pessoas.

Esta é também a região natural onde se produz a folha de coca e por isso ali existem muitos conflitos e interesses, uma pena,pois a paisagem de montanhas verdes é muito bonita.

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Andes verdes

Descendo de Cochabamba

Chuva como na Serra do Mar

E lá se vai a floresta...

Eu levei uma "multa" por dirigir com a luz acesa durante o dia. Será que estes caminhões não levam multa por carregar árvores de 500 anos na caçamba?


18 de agosto de 2009

Odisséia no Illampu


Vista do cume do Illampu para a Cordilheira Real.

Já estamos devolta em La Paz depois de ter escalado o Illampu, a quarta montanha mais alta da Bolívia com 6370 metros.

Foi nossa quarta montanha nessa viagem, em que escalamos exatamente as quatro maiores do país. Mesmo sendo a mais baixa delas, o Illampu foi a mais técnica. Na verdade, o Illampu é a montanha de seis mil metros mais técnica da Bolívia.

Desta vez eu e o Maximo tivemos a companhia da escalodara alemã/argentina, Isabel Suppé que dividiu cordada conosco.

Apesar desta montanha ser bem mais difícil que as outras, desta vez tivemos sorte com o tempo e isso fez que as dificuldades técnicas fossem amenizadas. Uma coisa interessante é que esta foi a única montanha nesta viagem que não precisamos de abrir caminho, pois antes de nós outros escaladores se aproveitaram do bom tempo e assim a montanha pareceu ser menos remota do que é, isso sem falar que a trilha até o acampamento alto é bem marcada, muito diferente, do Ancohuma, que é menos técnico, mas muito mais difícil de se chegar.

Nosso ataque ao cume foi muito demorado, pois escalamos sempre com segurança. O Illampu tem uma parede super inclinada de cerca de 300 metros de altura e lá perdemos muito tempo.

Saímos tarde do acampamento, às 4 da manhã e só chegamos ao cume às 4 da tarde! Isso não foi tudo, pois a volta foi também dificil, já que teríamos que desescalar a parede de 300 metros.

Como estávamos muito cansados, resolvemos rapelar esta parede e acabamos abandonando estacas de gelo lá em cima. Por sorte nosso atraso e cansaso não resultou em nenhum acidente e depois de 6 rapéis de 60 metros, chegamos na base salvos. Só fomos chegar na barraca às 10 da noite, depois de 18 horas de muito esforço.

A volta foi feita em dois dias, pois estavamos muito exaustos. Uma das dificuldades foi dirigir de Ancoma, que é o vilarejo que dá acesso à montanha, até Sorata. A estrada era terrível e super perigosa, foi a mais perigosa que eu já dirigi. Quase chegando e, Sorata eu passei com a roda em um buraco que não sei como não quebrou o carro.

Esta montanha fecha com chave de ouro nossa expedição. Agora são cerca de 3400 quilômetros de estrada até o Brasil.

Tenho saudades de muitas pessoas e espero voltar logo para contar pessoalmente as novidades. Daqui serão mais 4 dias até em casa!

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:: Veja o tracklog do Illampu no Rumos: Navegação em Montanhas!

Illampu, esquerda e Ancohuma, direita

Estrada para Ancoma. De terra, muito ruim, muito mal conservada e perigosa.

Preste atenção neste risco horizontal na montanha. Pois bem, isso é a estrada para o Illampu.

Vista para o vilarejo de Ancoma, aonde é o acesso à trilha do Illampu.

As casas de Ancoma, parece o Tibet!

Começo da trilha para o Illampu, lugar lindo!

Acampamento base do Illampu: Aguas calientes.

Aproximaçào ao acampamento alto do Illampu.

Vista para o caminho do acampamento alto do Illampu.

Isabel e Maximo.

Subindo o glaciar até o campo alto.

Atravessando o glaciar de cargueira.

Vista desde o campo alto para a região amazônica.

Nosso acampamento alto no Illampu. Ao fundo a parede técnica da montanha.

Detalhe da parede. Ela tem cerca de 300 metros.

Isabel no começo da parede.

Maximo guiando as primeiras enfiadas da parede.

Eu no segue do Maximo.

Maximo na parede.

Maximo no segue pra Isabel que vem em segundo.

Maximo e Isabel no final da parede.

Max chegando chegando no filo que dá acesso ao cume. De lá são mais 350 metros de subida, com dois escalões mais técnicos, mas não muito dificeis.

Isabel chegado no filo.

O último lance de escalada antes do cume.

Isabel e Maximo chegando no cume.

Chegando...

Vista para a Cordilheira Real.

Cume do Illampu.

Eu no cume.

Eu o Maximo no cume do Illampu.

Nos três no cume do Illampu.

Tentando imitar Tenzing Norgay no cume.

Cume do Illampu

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