Blog do Pedro Hauck: Pessoas
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7 de julho de 2015

Adeus Javier Callupan

Heraldo Javier Callupan Devaud, ou simplesmente Javi, era guia de montanha e dono de uma loja de equipamentos de montanhismo na cidade de General Roca, na província de Rio Negro, Patagônia Argentina. Sua loja e sua empresa de guiadas, a Patagonia Mountain, é bastante famosa por lá. Ele era o guia mais experiente que atuava no Vulcão Domuyo, a montanha mais alta da Patagônia. Era também o recordista de cumes nesta montanha e um dos guias argentinos de alta montanha mais experientes.

Ele era um pouco mais velho que eu, apenas 3 anos, e também começou a fazer montanhismo na década de 1990, no caso dele durante o exército na Patagônia da Argentina. 

Por causa da influência militar, Javi era uma pessoa muito disciplinada e eficiente. Estava sempre pronto, nunca atrasava. Era o primeiro a acordar, o primeiro a comer e quando todos estavam prontos ele já tinha feito tudo e ainda limpado a louça. Eu achava impressionante sua eficiência e o admirava muito por isso.

Muitos podem pensar que ele era metódico, mas o Javi conseguia ser disciplinado e gente boa ao mesmo tempo. Estava sempre sorrindo e alegrando o grupo, dava para ver nitidamente que ele era bom porque gostava do que estava fazendo e por isso fazia tão bem. Era muito bom ter um guia como ele trabalhando ao seu lado.

O conheci em Agosto de 2014 em La Paz, embora trocasse emails com ele há cerca de 2 anos, sempre tratando de expedições nos Andes. Eu estava finalizando a escalada de todos os cumes de 6 mil metros na Bolívia e ele levou dois clientes argentinos para escalar por lá. Jantamos um bife chorizo num restaurante na Sagarnaga.

Depois trabalhamos juntos no Ojos del Salado e Nevado Vicuñas na Puna do Atacama no Chile. Foi uma expedição inesquecível, tanto pelos momentos maravilhosos que o sucesso nos trouxe, tanto pela tragédia que vivenciamos no final com a enchente em Copiapó.

No Ojos del Salado, guiamos com sucesso a expedição do GenteDeMontanha deste ano junto com o Edu Tonetti, numa sintonia muito boa entre os 3. Um argentino, um brasileiro e um meio argentino, meio brasileiro guiando brasileiros e um húngaro. No final, no trecho técnico que chega diretamente ao cume da montanha, fizemos um trabalho em conjunto na segurança do cliente que fechou com chave de ouro a expedição essa sintonia. 

Foi muita boa a experiência que tive com ele, certamente muito proveitosa, onde aprendi muito. Javi além de ser ótimo guia e montanhista, ainda era um exímio motorista, fazendo horrores com sua caminhonete 4x4, a Pantera Negra.

Lá no cume do Ojos, pedi a ele para tirar uma fotos minhas. Foi quando eu tirei de um saquinho de magnésio um pózinho e joguei ao vento. Eram as cinzas do Parofes. Javi não entendeu o que estava acontecendo e perguntou ao Edu que lhe explicou. Ele ficou emocionado com o que viu. Mas não sabia que seu tempo na terra também era curto...

Javi morreu em Maio no Denali, a montanha mais alta do Alaska e da América do Norte. Ele estava sozinho e não sabemos ainda o que aconteceu. Seu corpo ficou durante muito tempo na montanha, pois ainda era começo da temporada e demorou até que uma equipe de resgate subisse para resgata-lo. Demorou mais ainda para que ele fosse descansar definitivamente em solo patagônico, pois sua família não tinha dinheiro para pagar a cara transferência dos Estados Unidos até a Argentina. De maneira solidária, todos os amigos brasileiros que trabalharam e foram guiados por ele colaboraram com um pouco e junto arrecadamos mais de 4 mil reais para sua família trasladar o corpo.

Foi muito triste perder o Javi desta forma e é mais triste pensar nas expedições na Puna sem ele.

Todos nós no cume do Ojos del Salado em 2015. Javi aparece no lado direito da foto na frente de Edu Tonetti.
Javi dirigindo sua "Pantera Negra" rumo ao Ojos del Salado.
Javi na entrada da Canaleta do Ojos del Salado.
Javier Callupan na Puna do Atacama.
Javier Callupan no amanhecer no Ojos del Salado.

20 de novembro de 2014

Adeus Davi Marski

Escalei muitas vezes com o Davi. Frequentava sua casa e o considerava um grande amigo. Toda vez que eu lembro do Davi, lembro também de Andradas, pois foi lá onde mais escalamos e nos divertimos. Aliás, lembrar do Davi é ter boas recordações, de muitas risadas, pois ele era muito brincalhão e engraçado.

O Davi foi quem me apresentou à via Nirvana, na Pedra do Pantano. Lembro-me de ter escalado ela duas vezes com ele e de como ele conhecia bem todos os movimentos desta via. O Davi também gostava muito da Bolívia e era sempre muito bom conversar com ele sobre as montanhas daquele país, que eu também gosto demais.

Estou triste e chocado. O Davi era um grande parceiro, mas nos últimos anos não pude conversar muito com ele. Primeiro pela distância, segundo por que nos distanciamos, em uma daquelas coisas que acontecem sem querer na vida e que me sinto culpado.

É o segundo grande amigo que perco este ano.

Davi Marski e eu na via Nirvana (Andradas) em 2010.
http://altamontanha.com/Noticia/4575/falece-o-montanhista-davi-marski

12 de maio de 2014

Adeus Parofes e obrigado por ter participado da minha vida

Sábado, dia 09 de Maio à noite. Após várias vezes tentando falar com o Parofes, avisando que iria viajar a São Paulo, decido enviar um recado para sua esposa, a Lili e a resposta foi um soco no estômago:
_ Ele acabou de falecer.

A vida é feita de conquistas e de perdas, mas confesso que de todas as perdas que podemos ter na vida, ainda não tinha tido uma assim, a perda de uma pessoa tão próxima. Sim já perdi todos meus avós e outros entes queridos pela idade. Com o passar do tempo a gente aceita perder os parentes que ficam velhos, mas um amigo que tem quase a mesma idade que eu, isso nunca tinha acontecido antes.

Todos já devem estar sabendo que o Parofes morreu de uma doença terrível, a leucemia. Acompanhei todo o processo da evolução da doença, desde a incerteza, passando pela diagnosticação, as crises e o fim.

Durante este processo ele chegou a ficar em casa durante um tempo, fomos até para a montanha juntos, para satisfazer a vontade dele de ver um pôr do sol, cozinhar uma gororoba de acampamento e dormir ouvindo o vento. Acordamos a tempo de ver o sol chegando de novo, a umidade subindo dos vales gelados e luz aquecer nossa barraca pela manhã.

Também o visitei várias vezes no hospital, que na verdade foi o local que ele mais ficou nos últimos dois anos. Várias vezes vi ele reclamar, mas também me confortar, pois obviamente não queria que ele morresse.

A última vez que o vi foi uma despedida. Rompi um pouco o protocolo e fiz perguntas sobre a morte, pois ele sabia que não teria muito tempo de vida.

Em filmes vimos diversos casos em que pessoas são diagnosticadas como pacientes terminais e aproveitam com isso para gastar todo seu dinheiro com viagens e diversão. Infelizmente com o Parofes isso não foi possível, pois no mundo real as pessoas tem dores, não aguentam fazer atividade física. Apesar do Parofes ter um vigor físico grande, devido sua experiência no montanhismo, isso o ajudou a ter uma sobrevida e a caminhar nos corredores do hospital, mas não nas ladeiras das montanhas...

Em Janeiro fiz uma expedição aos Andes e lembrei muito dele, pois acabei indo parar em San Pedro de Atacama, cidade que ele adorava! Confesso que não gosto muito de San Pedro, pois lá as coisas são muito caras. Mas era impossível não lembrar dele ali. Lá fiz duas montanhas que ele já havia escalado, o Licancabur e o Sairecabur e foi com os seus relatos e tracklog de GPS que fiz estes cumes, onde obviamente o homenageei. Depois acabei indo ao Llullaillaco e quem escalar esta montanha vai achar uma foto dele no caderno de cume (por favor deixe ela lá).

Pedi a Pachamama que o ajudasse a encontrar um doador de medula. Embora ele não acreditasse em religiões, ele gostou do pedido. Nunca saberemos se Pachamama ajudou ou não, pois fato é que ele estava muito fraco e mesmo se tivesse um doador, não conseguiria sobreviver ao transplante. A rede de doadores de medula é muito lenta e foi ineficiente para achar alguém compatível à tempo.

Sobre as perguntas que fiz a ele sobre a morte, ele respondeu simplesmente, que estava ansioso pra ver como era. Ele era assim, sem dramas. Não sofria com a morte, mas lamentava que fosse embora tão cedo, principalmente pelo fato de poder ter ficado tão pouco tempo com a Lili, sua esposa. Eles se casaram em Dezembro de 2011 e os sintomas apareceram em Janeiro de 2012.

A história de Parofes é uma história linda. Eu tenho ela guardada e vou ter o prazer de contar a todos um dia. No entanto ela acaba assim, deste jeito triste que vocês conhecem.

Estou triste, é claro. Mas confortado por pelo menos poder ter falado meu último adeus. Para finalizar, escrevo algo que esqueci de ter falado:_ Obrigado Parofes por ter participado da minha vida!



29 de novembro de 2013

Tom e Ana estudam Geologia

O mais novo simpático (quase) casal de montanhistas Tom e Ana são estudantes de Geologia. Criação do arquiteto e montanhista Rodrigo Trevisan, Tom e Ana são personagens de quadrinho que fogem totalmente do padrão normal de quadrinhos e produções deste tipo voltadas para o publico de montanha.

Enquanto diversos outros quadrinhos retratavam montanhistas como pessoas desleixadas, com gostos duvidosos, chapados, destemidos e anti sociais, Tom e Ana é o retrato de dois jovens quase normais, meio inocentes, que apresentam singela admiração pela natureza, vida simples e uma grande timidez para mostrar que um gosta muito do outro.

Claro que como todo montanhista, Tom é meio jaguara, anda de bota na praia no Leblon, prestando mais atenção nas formações rochosas que o cerca do que nas cariocas de biquíni, parece eu. Ele também esquece de ver o prazo de validade, prepara, oferece e come atum vencido com a Ana, que é uma moça moderna e bonita que vive com seu celular a punho registrando tudo o que faz e que aprende com o Tom.

Eles viajam bastante. Uma hora estão nos canyons da Serra Geral no Rio Grande do Sul, outra na Serra do Mar em Santa Catarina e Paraná, passam pela Serra dos Órgãos e ainda escalam um imponente 6 mil na Bolívia. A gente vai viajando junto, nas imagens, nas histórias e na imaginação sobre o que vai acontecer...





30 de outubro de 2013

São Francisco encontra o mar

Lembro me bem do dia em que conheci o seu Zé. Era um sábado à tarde em 1992 quando decidi que precisava aprimorar minhas técnicas de futebol, chutando a bola contra muro sozinho. Fui surpreendido por aquele senhor negro de cabelos brancos que parecia algodão. Com sua fala mansa me interrompeu para falar do Pelé, Leônidas da Silva e Friedenreich.

Minha mãe o havia contratado para cortar a grama e fazer pequenos trabalhos no jardim. Era uma pessoa mística e filosófica, diferente das normais. Enquanto a reforma da Casa da Agricultura era levada à cabo pela prefeitura, todos os peões paravam na hora do almoço para dormir na sombra do enorme Flamboyant, jogar cartas ou prosear. Separado de todos, seu Zé chamou atenção por ficar sozinho lendo as revistas de capa amarela da National Geographic. Foi assim que minha mãe o conheceu e convidou para fazer estes serviços no quintal.

Ele era de Piaçabuçu, Alagoas, lugar onde o São Francisco encontra o mar. Veio a São Paulo ainda jovem e trabalhou em muitos lugares, indo parar anos mais tarde em Itatiba, onde trabalhou para a prefeitura fazendo trabalho de peão.

Nunca estudou, mas aprendeu a ler sozinho. Imagino que ele olhava admirado as belas fotos que tornaram a National Geographic famosa no mundo inteiro e assim decidiu que precisava saber ler.

Não lembro exatamente como ele foi morar em casa. Acho que foi depois dele quebrar o pé, quando foi atropelado por uma bicicleta em 93. Ele passou anos na edícula, sempre silencioso e discreto, ouvindo rádio CBN, comentando as notícias do mundo e interessado com suas revistas que lia em voz alta, com dificuldade, interrompendo o silêncio do quintal.

Preferia o trabalho braçal na roça que o trabalho no jardim e assim acabou indo morar numa casinha velha na Fazenda Aves do Paraíso que pegou fogo junto com suas revistas e fotos, que contava um pouco de seu misterioso passado. Acabou voltando para a casa da minha mãe onde ficou até que ela se mudou para o Ceará em 1998.

Não tinha família, mas adotou uma afilhada que aparecia para receber a mesada do pai de adoção. Ficávamos com raiva que ela só ia para receber e esquecia do velho solitário no resto do mês. Mas era o próprio São Francisco, dava toda sua aposentadoria e ficava sem nada, vivendo na absoluta pobreza e sem se importar com isso.

Não precisava trabalhar, mas ainda assim queria a vida na roça, foi parar no sitio do meu pai. Era um destemido e pegava cobras com a mão. Só se esqueceu que estava velho e ruim dos olhos, acabou sendo picado por uma cascavel. Quase morreu e ficou desfigurado. Sempre reclamou da nova mão e dizia que ia arrancar o dedo imobilizado com um machado.

Acabou voltando para a cidade, desta vez para morar na edícula da casa do meu pai na rua José de Paula Andrade, onde passou bastante tempo. Ouvia a rádio CBN e cuidava dos passarinhos. Vez ou outra ia no quintal para conversar com o velho, que me contava histórias que lia nas revista.

No futebol não fui mais adiante do que aqueles chutes no muro, mas me tornei Geógrafo e montanhista. Certa vez ouvi dele uma história que me comoveu: Ele pediu para que quando eu fosse ao Himalaia escalar, que eu o contratasse como carregador e que apesar de velho, ainda aguentava muito peso.

Mudamos de casa e ele foi junto. Teimoso, se aprofundou na síndrome da acumulação, levando lixo para dentro de casa, o que deixava a Fátima furiosa. Nessa época, as pessoas começaram a evitar ele. Deixou de ler a National Geographic e começou a pregar a bíblia, sempre interrompendo o trabalho objetivo da Dalva e da Claudete.

Saiu de casa, deixou a barba e o cabelo crescer e se tornou um personagem messiânico. Andava pela rua pregando, apresentando sinais de demência.

Morando no Sul, há anos não o via. Perguntei para minha mãe se ela tinha notícias e ouvi que da última vez que ela o vira, ele havia dito que ia voltar a Piaçabuçu e virar pescador com uma jangada. Reclamava com os taxistas no ponto em frente ao Rosita e pedia que o Fattori pagasse a passagem dele até Alagoas.

Perguntei ao meu pai e ele disse o viu sentado na sarjeta com uma poça de urina no chão, escorrendo pela calça e parou para ajudar. Já não percebia o estado em que se encontrava, estava magro como um palito e falava sozinho, confundindo as coisas. Ao reconhecer o meu pai, ele perguntou de mim. O seu Zé já não era o mesmo que eu conheci há mais de 20 anos atrás...

Recentemente sonhei com ele. A imagem que tenho é do seu Zé no quintal da José de Paula Andrade, que foi demolida há pouco tempo. Estava sentado na cadeira de plástico, de frente ao pé de Jaboticaba, perto da gaiola dos canários. Tinha em mãos uma revista de capa amarela e ao lado dicionário sem capa que ele achou no lixo, apenas para ganhar mais vocabulário. Ele olhava para o vazio no silêncio, num fim de tarde bucólico.

Onde foi parar o Seu Zé? Pensei que tivesse morrido, ou que estava pescando com sua jangada.

Hoje tive a confirmação, São Francisco encontrou seu mar.

Pôr do sol no morro do canal. Dia 29/10/2013.

12 de setembro de 2012

Noche Estrellada: Livro de Isabel Suppé

A editora Desnível publicou seu primeiro livro com sotaque argentino e o autor, ou melhor autora da obra é uma alemã que viveu e escalou muito aqui na América do Sul: Isabel Suppé.

Conheci a Isabel em Julho de 2009 no Illimani na Bolívia e pouco mais tarde dividi cordada com ela na montanha de 6 mil metros mais dificil daquele país, o Illampu. Um ano mais tarde, também na Bolívia, Isabel sofreu um acidente que quase tirou sua vida e é até hoje considerado um "Touching The Void" feminino, alusão ao livro e vivência do britânico Joe Simpson.

Isabel sofreu uma queda de 400 metros na Asa Esquerda do Condoriri, sofreu diversas fraturas na perna e permaneceu mais dois dias na montanha, com osso exposto, até finalmente ser resgatada. Foi um milagre nos Andes. Mesmo de muletas, ela ainda escala. 

Isabel escreveu seu livro durante a recuperação no hospital, conseguiu ficar em segundo lugar no premio Desnivel de 2011, perdendo apenas para a obra Huida al Tibet.

Recebi seu livro com dedicatória e recomendo a todos que gostam de boas leituras e histórias perrengosas.

Quem quiser adquirir o livro, não custa muito na Livraria Desnível.



21 de março de 2012

Adeus ao grande mestre Aziz Ab Sáber

Existem pessoas que a gente nunca chega a conhecer, mas que exercem grande influência sobre nossas vidas. Acredito que o geógrafo Aziz Ab´Sáber foi uma das pessoas que mais influenciou minhas idéias e me ajudou bastante em minha maturidade em pesquisas e também na maneira de pensar.

Minha trajetória pela Geografia começou com na Unesp de Rio Claro pela Geografia Urbana, passou pela Geomorfologia, mas amadureceu com minhas pesquisas biogeográficas com a Teoria dos Refúgios. A disciplina Geografia de Brasil II, ministrada no terceiro ano pelo professor Adler, era uma revisão sobre a Geografia física do país. Foi, no entanto, no final de sua disciplina a maneira de ser das paisagens brasileiras me fez sentido. Ela foi explicada pelas idéias da teoria dos Refúgios, que eu vim a me apaixonar.

Pela primeira vez tive noção do que seria uma paleo geografia de verdade. A proximidade na escala de tempo, final do Pleistoceno/Holoceno, me permitiu ter uma idéia maior e menos abstrata do passado. Pude assim entender as paisagens que eu gostava e freqüentava, as montanhas, que apresentam um padrão do tipo anormal perante a certa homogeneidade de ecossistemas dentro dos domínios de natureza do país. De começo levei até um esporro do Adler:

_ Ab´Sáber tem acento, porra! Nunca me esqueci de citar corretamente o Aziz. Rsrsrs

Tive a percepção que a Teoria dos Refúgios explicava a fantástica paisagem da Serra dos Cocais, em minha cidade natal, Itatiba, no interior de São Paulo. Fiz então um trabalho, minha conclusão no curso de Geografia. Mais tarde, me aprofundei na compreensão desta teoria e na minha dissertação de mestrado, defendido na UFPR, expliquei as origens da paisagem de floresta de Araucárias no Paraná, um trabalho muito interessante e bastante comentado.

Pude rebater algumas afirmações de Aziz, aprimorando a teoria dos Refúgios, não refutando-a.

O Aziz era um grande conhecedor do Brasil, ele viajou por todo país na maneira que pôde de jipe, no lombo de burro e barco. Estas experiências resultaram em importantes observações sobre como as paisagens brasileiras se comportam e como elas evoluíram. Ele colocou isso dentro da escala de tempo geológico e contribuiu para que conhecêssemos como se deu a evolução do relevo e também a vegetação.

Cada leitura que eu faço dos textos do Aziz, eu consigo abstrair uma nova informação. É muito grande sua clareza nas idéias, ao mesmo tempo em que é necessária experiência para retirar dali seus entendimentos. Não que seja difícil de ler, mas sim por que são tantas e tão ricas as informações que a retirada destes dados se faz de acordo com a evolução de nossos olhos e cérebros.

Me encontrei com Aziz diversas vezes, sempre em eventos científicos nos quais sua presença se tornava sensação. Sempre tentei conversar com ele nestas ocasiões, mas isso foi impossível, dado a quantidade de gente que para aparecer ocupava o tempo do grande Aziz com perguntas sem questões que o grande geógrafo respondia com simpatia, não era dele ser arrogante, mesmo diante de quem enchia o saco.

Aziz em evento científico

Exatamente porque eu não queria encher o saco, protelei fazer contato telefônico ou por carta. Uma pessoa com oitenta e poucos anos não deveria ter email... Era o que eu achava. Protelei tanto que perdi a chance de entender mais coisas que o Aziz sabia e que não pude extrair de seus textos. Ficará para outra dimensão esta conversa.

Mesmo sem poder conversar, soube que o Aziz ficou sabendo de meus trabalhos. Foi através do professor Adler que soube que meus trabalhos sobre a Teoria dos Refúgios foi citada pelo Aziz no belíssimo livro Ecossistemas do Brasil, livro tão belo (e caro) que ainda não tive contato, infelizmente.

Fica aí minha homenagem à este fantástico homem, formidável geógrafo e grande mestre Aziz Nacib Ab´ Sáber.

Aziz com meu tcc em mãos.

27 de junho de 2011

Jurandir Constantino, o Marumbinista 82

Recentemente pude caminhar à companhia de uma pessoa que há muito tempo conhecia, mas que nunca havia tido a oportunidade de dividir um perrengue, trata-se do Jurandir Constantino.

O Jurandir é um cara muito bacana, que tem muita história pra contar. A primeira coisa é por que ele é o marumbinista 82? Bem, essa história ele me contou agora! Ele é uma das poucas pessoas que pode ser chamada de marumbinista de verdade, isso porque ele morou na estação do Marumbi por 11 anos, de 1982 até 1993, daí o 82.


 Jurandir caminhando na Serra do Mar

O pai do Jurandir trabalhava na RFFSA e ele morou onde hoje é a sede do Parque Estadual do Marumbi. Ele me contou suas histórias de criança. Escaladas em árvores, e aventuras no Rochedinho, numa época em que subir o Olimpo era inalcansável. Seus idolos eram os montanhistas que frequentavam a vila e contavam as histórias de montanhismo.

Era uma época diferente, cheia de liberdade. O Marumbi era para todos e apesar disso ser bom, haviam problemas, como o lixo. Porém até este defeito se tornava diversão, pois todos os anos era realizado gincanas de limpeza organizada pelo CPM e patrocinada pela Acampar, que doava mochilas e equipamentos para os mais empenhados. Haviam uns que até trapaceavam, colocando no meio do lixo folhas e terra, pra pesar mais. No final, quem trazia pra estação mais resíduos, ganhava o premio maior, uma mochila. Por várias vezes o Feijoada, que também venceu duas vezes o Marumby Trophy, levou a melhor.


 O Marumbi do Jurandir

Certa vez, o pai do Jurandir ganhou dois porcos. Ele pegou uns dormentes de trem e com eles fez um chiqueiro. Hoje ele me conta esta história rindo: 

_ Imagine, uma chiqueiro no Marumbi?

Pobre dos porquinhos, foram mortos por uma das maiores tragédias da história da montanha, as avalanches de março de 1989. 

Nesta ocasião, começou a chover demais num final de tarde. O pai do Jurandir chegou mais cedo em casa e viu a água invadir aos poucos a vila. Rapidamente o rio Itapava começou a transbordar e passar suas águas sobre a ponte do trilho de trem. Primeiro vieram arbustos, depois árvores inteiras e a casa do Jurandir ficou meio metro abaixo de água. Diversos moradores tiveram que ser socorridos. É dificil imaginar a estação debaixo d´água, mas foi isso que aconteceu.

Os porcos foram levados com água e o corpo de somente um foi achado, há mais de um quilometro de distância. Pedras se moveram e neste evento climático anormal, quase repetido neste ano, boa parte do leito do rio foi destruida, aflorando rocha onde antes tinha solo, mas deixando cachoeiras maiores e mais bonitas.

Hoje quando vamos para o Olimpo e passamos pela cachoeira dos marumbinistas, não imaginamos que não havia tanta rocha exposta quanto hoje e que aquele vale inteiro foi arrasado. 

Os tempos mudaram e o Jurandir também. Mas mesmo assim ele não deixou de frequentar a montanha. Depois disso ele foi morar em Alexandra, e nos finais de semana ia de bicicleta até a estação para depois fazer o conjunto. Quem conhece sabe que isso é uma grande pernada!

 Jurandir bivacando na chuva. Não tem tempo ruim pra ele!

Hoje o Jurandir mora em Paranaguá e trabalha na secretaria de meio ambiente. Com uma história dessas, tinha mesmo que gostar de mato e natureza. Este é o Jurandir, um grande montanhista e companheiro, um verdadeiro marumbinista. Tão dedicado ao montanhismo que dizem que tem até uma montanha na Serra do Mar foi batizada em sua homenagem. 

Um grande abraço pro Jurandir!


Jurandir antes e depois de devorar uma Tainha em Paranaguá.

4 de maio de 2011

Bin Laden está vivo!

A informação que Osama Bin Laden foi morto no Paquistão é falsa! Ele deixou o país e está morando no Sul do Brasil.

Ele e amigos eram vistos com frequência na Serra do Mar. Nos últimos tempos, porém, ele desapareceu sem deixar rastros, provavelmente já sabendo que a CIA estava em sua cola.

Bin Laden, não adianta fugir, nós sabemos onde você está!


5 de dezembro de 2010

Entrevista com Maximo Kausch

Hoje foi publicado uma entrevista que eu fiz com o Maximo Kausch no site AltaMontanha.com. Esta entrevista durou várias horas e foi feita em dois tempos, primeiro na casa da mãe dele, em Itatiba - SP e outra na churrasqueira da minha casa, também em Itatiba.

Pra quem não sabe, eu aprendi a escalar com o Maximo há um pouco mais de 12 anos atrás. Nós fizemos  nossas primeiras montanhas de altitude juntos, mas em um determinado momento eu escolhi ficar no Brasil, estudar e fazer montanhismo nas horas livres e ele optou por ser um montanhista profissional e ganhar o mundo.

Passado alguns anos, hoje estamos diante de nossas escolhas. Eu estou de volta na minha cidade natal, e trabalho como professor de Geografia... já o Maximo, bem, acho melhor vc´s lerem a entrevista e ver o que ele anda fazendo. É impressionante.


19 de outubro de 2010

Entrevistando o Jorge Soto


Dizem que não se fazem nem estupradores como antigamente, o que dizer dos aventureiros?  Bem, se for depender do Soto podem esperar uma renovação certa, no montanhismo é claro!

Pode estar frio ou calor, seco ou chuvoso, o Jorge Soto sempre tá na trilha! Com seu usual shortinho azul marinho, bota, mochila velha e óculos, esse cara é um dos maiores figuras que eu já conheci e certamente é o trekkeiro mais ativo do Brasil, condição que lhe rende muitas comparações com o saudoso Sérgio Beck.

O Soto é um dos maiores contribuidores do AltaMontanha, enviando semanalmente algum relato de perrengue vindo de Norte à Sul do Brasil. Como o cara consegue estar em tantos lugares ao mesmo? Quem é Soto? O que pensa? Será verdade que ele fugiu do Pinochet?

A resposta para todas estas perguntas você encontra na entrevista que realizei com ele na semana passada, publicada no AltaMontanha.com.

Tenho certeza que depois de ler, você vai votar nele nas próximas eleições!

:: Jorge Soto, o maior caminhante do Brasil

7 de outubro de 2010

Entrevista com o vampiro....


 Na semana passada, de uma maneira meio inusitada e sem planejar, resolvi entrevistar um dos maiores figuras do montanhismo paranaense: Julio Fiori.

O Julio é um amigo e parceiro de montanha, apesar da grande diferença de idade entre nós. Sempre converso muito com ele sobre coisas filosóficas e históricas do montanhismo. Já discordei de muitas de suas idéias, hoje vejo que ele tinha razão em muitas delas, será o peso da experiência?


O problema destes idéias é que elas são meio polêmicas e são contra aqui que é tido como o "politicamente correto". Acho que o Fiori foi muito pouco compreendido e por isso apareceu esta idéia de fazer uma entrevista, para que ele pudesse dizer quais são estas suas idéias.

O título deste post? Ora, foi o título do email que ele me enviou quando topou fazer a entrevista. Será um vampiro mesmo? Então leia e entenda um pouco mais os pensamentos deste jovem montanhista de 53 anos e 30 de montanhismo...


:: Julio Fiori fala de anarquismo, liberdade e responsabilidade no montanhismo

2 de setembro de 2010

Isabel Suppé no Brasil

A Isabel Suppé é certamente uma das montanhistas mais experientes da América Latina e recentemente passou por uma experiência não muito agradável, mas certamente irá mudar a vida dela, afinal, ela nasceu de novo....

Isabel estava escalando na Asa Esquerda do Condoriri, na Bolívia, quando despencou 400 metros! Na queda, entre bater a cabeça e sair voando, ela quebrou dois ossos da perna esquerda, a Tíbia e o Perônio, que ficaram expostos. Se não bastasse isso, ela ficou lucida e rastejou pelo glaciar dor dois dias inteiros, passando duas noites ao relento.

Teve sorte em não congelar, e tb em não se quebrar inteira na queda. Ao que parece, a mochila que ela levava à protegeu dos golpes contra as pedras e gelo e assim ela não teve fraturas mais graves.

Já tida como morta, ela foi resgatada sem querer e já se recupera bem depois das cirurgias que colocou alguns pinos na perna.

Como Isabel é alemã (mas mora há 10 anos na Argentina, tendo já dupla cidadania), ela passou pelo Brasil no caminho para a Europa, onde foi reencontrar com sua família.

Aproveitei para reve-la, pois desde a Bolívia, há um ano, eu não a via. Nós escalamos juntos duas montanhas, o Illimani e o Illampu naquela ocasião.

Ela ficou apenas um dia no Brasil, tempo para conversarmos e fazermos um churrasco. Agora é só esperar ela se recuperar para voltarmos a escalar juntos denovo. A promessa é que ela venha morar um tempo no Brasil, pois ela quer aprender português e melhorar sua escalada em rocha. Vida nova pra Isabel!

Foto tirada por Benjamín Rubio García no dia do acidente. Em vermelho está Isabel e Peter, que faleceu na queda, antes do acidente. A linha pontilhada foi o caminho da queda.

Fazendo um churras em casa antes de Isabel ir para a Alemanha

4 de agosto de 2010

Não sabe em quem votar nessas eleições?

Presidentes e governadores sempre roubam a atenção e geralmente pouco importamos para outros cargos muito importantes, como Deputados.

Os Deputados são os politicos que vão propôr e votar as leis e hoje no montanhismo sabemos como isso afeta nossa atividade, pois leis mal formuladas podem ser impecilhos para muita coisa.

No Brasil temos o preconceito de que politicos são todos ladrões. Não que a maioria seja diferente disso, pois com uma população que não se interessa pela política, os ladrões se aproveitam para legislar a favor de seus proprios interesses.É do silêncio dos bons que estou falando...

Pelo menos no Paraná temos uma candidata que poderá levar para a Assembléia Legislativa toda a atenção que a comunidade de montanhismo mais antiga do Brasil precisa.

Os Parques de montanha paranaense carecem de mão de obra e sobram proibições. Precisamos de gente pra trabalhar e proteger a natureza de maneira efetiva e não apenas com punições àqueles poucos que são flagrados no extrativismo e milindragem que destrói nossas paisagens naturais. Precisamos também de incentivo para o montanhismo tradicional, uma atividade que não somente ajuda na conservação de recursos naturais como também trás grandes beneficios pessoais aos praticantes, pois cidadãos felizes são mais produtivos e cidadões melhores.

Para tudo isso é que apresento a vocês uma pessoa muito competente e honesta que poderá fazer toda a diferença na Assembleia Legislativa: Andressa Zanlorenzi, a deputada da montanha!


Veja as propostas dela:
  • Escola  Técnica de Guarda-parques;
  • Matéria de socorros urgentes para ensino médio, ministrada por socorristas, bombeiros e/ou profissionais de saúde.
  • Implementar projetos de redução da temperatura mundial como o telhado verde;
  • Incentivar o esporte na forma de escalada técnica em parques estaduais e municipais;
  • Trabalhar com as comunidades em torno das áreas de preservação para que aumentem sua renda e ajudem a conservá-las.
  • Educação ambiental para igrejas, religiões e seitas para que ajudem na manutenção das áreas de preservação.
  • Fortalecer os conselhos consultivos perante os órgãos responsáveis;
  • Concurso público para aumentar o contingente de funcionários do IAP ;
  • Melhoria de vida para os deficientes físicos, com ampliação da qualificação profissional;
  • Incentivar a funcionalidade do correio e da Polícia em Campo Largo e em Pontal do Paraná
No Paraná, meu voto é dela: Andressa Zanlorenzi - 43193

12 de novembro de 2009

Elcio Douglas Ferreira, o cara!


Elcio no cume do Aconcagua de camiseta, só ele mesmo!!!!

Elcio é um mito vivo do montanhismo no Paraná, mas fora de lá ele é pouco conhecido, talvez porque ele seja uma pessoa discreta ou porque ele nunca subiu montanha fora do Paraná, Santa Catarina embora já tenha realizado feitos notáveis nos Andes.

Ele já foi escalador, chegou a escalar 7c, mas parou pois gosta mesmo é de caminhar e se tornou um caminhante de nossas serras como ninguém.

Na década de 1990 ele foi o responsável pela abertura da primeira travessia Ciririca Graciosa, que é outro mito no Paraná, uma travessia difícil, sem trilhas e que passa por diversos tipos de terreno. Na ocasião esteve junto Oséias de Araujo e Corrêa e se orientaram com bússola e carta topográfica para achar uma saída saindo do Ibitiraquire até sair no marco 22 da estrada da Graciosa.

Um dos maiores parceiros do Elcio foi o Oséias, chamado pelos amigos como Black. Ele levou o montanhismo de travessias inatas até o cúmulo e morreu na Serra da Farinha Seca em um dia chuvoso que ninguém iria querer sair de casa. Até hoje quando há dias a chuva não cessa em Curitiba e junto com ela vem o frio e a neblina, meu parceiro de montanha Júlio Fiori diz: "O dia pra se morrer na Serra".

Além de Black, outro parceiraço do Elcio era o Taylor Thomas, que mais tarde afundou-se na escalada em rocha e se tornou um dos melhores do Paraná. Taylor ficou famoso por abrir a via "Musgos eternos das mentes delirantes" no pico do Ibitirari, a maior parede do Sul do Brasil, via que ainda não teve repetição, pois é um sétimo grau E5!

Pois bem, o Elcio com o Taylor fizeram muitas loucuras juntos. Na passagem do ano de 1999 para 2000, junto com Ivon Cezar Sales, o Indio, em pleno verão com suas chuvas intermináveis, eles fizeram a travessia intitulada "Travessia do Milênio", que consistia em sair do Bairro Alto de Antonina, na baixada litorânea do Paraná, subir o Pico do Ferraria por sua pouco explorada crista que desce até o rio Cotia, logo atravessar toda a Serra do Ibitiraquire, passando pelo Taipabuçu, Caratuva, Itapiroca, Tucum, Cerro Verde, Luar, Ciririca e enfim sair na civilização na estrada da Graciosa. Quem não sabe o que é isso, basta ver a postagem abaixo. É uma travessia latitudinal na parte mais escarpada da Serra do Mar paranaense, um feito realizado por poucos até hoje.

A parte mais engraçada de toda essa fodição, foi que eles chegaram no fim da travessia famintos, pois quem conhece o Elcio já sabe, ele não leva nada pra comer em suas caminhadas. Uma macumba fresca na curva da Santa ao lado da Rodovia da Graciosa foi a salvação. Taylor e Índio brigaram pra ver quem devorava a galinha e o Elcio, que é vegetariano, se lambusou de comer arroz e melão, o melhor da vida dele!

Além destas loucuras serranas, recentemente ao lado do catarinense Arlindo Rossi, Elcio fez uma das travessias mais longas do Sul do Brasil em apenas 19 horas e vinte minutos. Trata-se da Travessia entre o morro do Araçatuba, que fica no Paraná, até o Monte Crista, em Santa Catarina, uma pernada gigante de 68 quilômetros que poucos fazem em menos de 3 dias!

Entretanto o que fez do Elcio um cara famoso, foi sua escalada relâmpago no Aconcagua no ano passado. Ele nunca tinha ido pra Mendoza, nunca tinha escalado aquelas montanhas secas e de aproximação longa e elevadíssima altitude. Eu fui um dos que disseram pra ele não tentar fazer a mesma coisa que ele fazia na Serra do Mar, pois lá a altitude dificulta tudo. Vi no final que o cara pode tudo mesmo!

Ele ignorou tudo e resolveu ir para a montanha de sua maneira. Na mochila, algumas caixas de chocolate, amendoim. Barraca ele levou só até Plaza de Mulas, era pesada e inútil. Fogareiro, pra quê?

Pois bem, nosso colega Elcio chegou no cume do Aconcagua em apenas 3 dias, sem se aclimatar, sem conhecer a montanha, sem pegar mula e além de tudo, sem levar blusa! Ele disse que estava muito quente e fez cume de camiseta!!!!!

Pois é, estas poucas linhas são muito pequenas para dizer quem é Elcio Douglas. Quem quiser conhecer tem que passar um fim de semana com ele na Serra. Se alguem tiver pique, tem que correr atrás, pois o cara é mesmo muito foda!

Parabéns Elcio por seus 22 anos de montanhismo e que continue por mais outros vinte anos! Aliás, você é o cara!!