O capitalismo é um sistema econômico e política que têm como prática a mais valia. Uma industria produz algo por um valor e vende por outro. Um comerciante compra uma produto e vende mais caro. Isso é ajustado e está dentro das regras do sistema. Sem infantilismos, não é pecado lucrar e nem ganhar dinheiro.
Acontece que o capitalismo tem controle. Uma empresa não pode exercer monopólio e várias empresas não podem se juntar e fazer um acordo para controlar o preço de um produto, fazendo um cartel. As regras do capitalismo ocorrem para valer a antiga lei da oferta e procura.
Em tempo de crise, como agora, é comum haver deflação, pois com a baixa no consumo, as empresas tenderão a baixar o preço de seus produtos para vender mais. Pois a circulação de dinheiro e de mercadorias é sinônimo de saude de mercado. Se um empresa tem produtos emperrados, ela está na pior.
Nos Estados Unidos, que é o país onde o capitalismo está no "way of life" da população, é possivel achar promoções de mais de 70%. Lá, tudo baixou de preço. Os imóveis, que são os vilões da crise, estão mais baratos do que há 10 anos atrás (e mesmo assim não tem gente que os compre).
Um dos principais indicadores de crise é o preço das commodities, que são as principais matérias primas da indústria, como aço, petróleo, gás etc... Como elas são regidas pela lei de mercado, se a economia estiver aquecida, o preço destas matérias primas sobem, se o mercado estiver em baixo, elas caem.
Com o petróleo podemos notar isso. Antes da crise o barril estava custando US$ 147,00. Agora, ele custa US$35,00 (preço de ontem). Uma baixa de 75%.
Com esta redução gritante no preço desta importante matéria prima, eu achei que a gasolina no país ia ficar mais barata. Pura ilusão...
A Petrobrás resolveu aumentar seu caixa lucrando com a baixa do preço do barril do petróleo, não reajustando o valor dos combustíveis, o que pela regra do capitalismo é ILEGAL!
Com isso, a gasolina do Brasil hoje é a mais cara do mundo. Para você ter uma idéia, nós, pobres brasileiros, pagamos por litro de gasolina 50% mais caro que o americano paga lá nos Estados Unidos pelo mesmo produto. Detalhe, sem adição de 25% de alcool como aqui. O preço do Diesel no Brasil é 30% mais caro que lá.
Mais uma vez estamos sendo lesados pela conivência do governo que não toma nenhuma atitude. Aliás o governo brasileiro é culpado por muitos dos abusos do capitalismo no país. Diferente de outros lugares onde o Estado é um agente fiscal regulador, aqui ele é agente distribuidor de privilégios à pequenos grupos econômicos, regulando monopólios, como por exemplo, nos Transportes. Já notou que aqui não temos concorrência entre empresas de ônibus? E que as Agências de transporte regulamentam o monopólio das empresas explorarem trechos rodoviários? Pois é...
Esta crise já engoliu cerca de 35% de nossos salários com a desvalorização de nossa moeda frente ao dólar. Mesmo ganhando menos, ainda somos punidos pelas empresas que aumentaram suas taxas de lucro, ilegalmente, para anularem os prejuízos da crise.
Resumindo, este país é o paraíso dos grandes empresários. Pois aqui eles nunca se dão mal, pois é na crise que se ganha mais dinheiro. E o povo? bom, aí já sabem... Nossa triste segunda colocação entre os países mais desiguais do mundo é o resultado destas políticas.
16 de janeiro de 2009
13 de janeiro de 2009
Ótica distorcida no Oriente médio
Não vou ficar dando juízo sobre os acontecimentos de guerra entre Israel e os Palestinos da Faixa de Gaza. Estamos a milhares de Km de distância e não vivenciamos o dia a dia destas populações para dizer quem está certo ou errado.
Entretanto, por mais que seja uma guerra desigual, quem provocou ela foi o Hamas que é um grupo político radical e nem sequer reconhece o Estado de Israel (como vão negociar a paz se ele não reconhece o outro?).
Por ser uma luta de um país rico e poderoso contra um outro pobre e superpopuloso, que históricamente acumula derrotas, é natural que exista um sentimento de torcer pelo mais fraco e muita gente "torce" pelo Hamas, o que na minha opinião é um absurdo!
O Hamas, assim como o Hezbollah, recebem a simpatia de muitos militantes da esquerda no Brasil e no mundo, pois são grupos anti-Estados Unidos. Mas isso não significa uma oposição no sentido de ser contra a conduta política de exploração americana de países mais pobres. Eles são oposição porque sabem que os EUA são aliados de Israel. Dentro do Hamas e Hezbollah não há nenhuma ação em prol de um bem estar social do povo palestino, eles não são um grupo de esquerda no sentido da filosofia política. Pelo contrário, atacando e não reconhecendo o poderoso vizinho, só estão causando desgraça ao seu povo.
Hoje olhando no Orkut, pude ver uma coisa me chamou a atenção pela distorção do ideal de esquerda e do ideal de justiça social. Tratava-se de um jovem, destes com grande potencial artístico e com um espírito contestador. Até aí tudo bem, mas eis que eu vejo que ele vendendo camisetas de revolucionários de maneira muito distorcida: Um Che Guevara estilizado de palestino e também camisetas do Hamas e do Hezbollah. Ora, que liderança libertadora é essa? Foi o tempo que jovens contestadores vestirem camistas de Gandhi, Salvador Allende, Chico Mendes etc...
A impopularidade da Guerra para o lado israelense é uma realidade dada como certa antes da guerra começar, eis que da imagem de tirano que o Estado Judeu e os Estados Unidos têm advém este absurdo... Daqui a pouco vão fazer uma camiseta do Dalai Lama com uma AK 47 defendendo o anti-ocidentalismo.
Não sou a favor da guerra contra a Palestina e nem tenho conhecimentos empíricos para dar meu juízo. Mas peço que diante desta situação sejamos sensatos.
Há uns 20 anos atrás o Iraque invadiu o Irã dos Aiatolás e o ocidente vibrou com a vitória da democracia e liberdade no Oriente Médio. Festejaram nada mais nada menos do que a tirania de Saddam Hussain. Hoje o que temos no Iraque?
O Ocidente tem que aprender com os erros do passado e de repente não se meter na guerra dos outros para não produzirem outros Saddam Hussains e outros Al Qaedas da vida. Vejam as camisetas. Elas custam R$40,00, mas não comprem...
Entretanto, por mais que seja uma guerra desigual, quem provocou ela foi o Hamas que é um grupo político radical e nem sequer reconhece o Estado de Israel (como vão negociar a paz se ele não reconhece o outro?).
Por ser uma luta de um país rico e poderoso contra um outro pobre e superpopuloso, que históricamente acumula derrotas, é natural que exista um sentimento de torcer pelo mais fraco e muita gente "torce" pelo Hamas, o que na minha opinião é um absurdo!
O Hamas, assim como o Hezbollah, recebem a simpatia de muitos militantes da esquerda no Brasil e no mundo, pois são grupos anti-Estados Unidos. Mas isso não significa uma oposição no sentido de ser contra a conduta política de exploração americana de países mais pobres. Eles são oposição porque sabem que os EUA são aliados de Israel. Dentro do Hamas e Hezbollah não há nenhuma ação em prol de um bem estar social do povo palestino, eles não são um grupo de esquerda no sentido da filosofia política. Pelo contrário, atacando e não reconhecendo o poderoso vizinho, só estão causando desgraça ao seu povo.
Hoje olhando no Orkut, pude ver uma coisa me chamou a atenção pela distorção do ideal de esquerda e do ideal de justiça social. Tratava-se de um jovem, destes com grande potencial artístico e com um espírito contestador. Até aí tudo bem, mas eis que eu vejo que ele vendendo camisetas de revolucionários de maneira muito distorcida: Um Che Guevara estilizado de palestino e também camisetas do Hamas e do Hezbollah. Ora, que liderança libertadora é essa? Foi o tempo que jovens contestadores vestirem camistas de Gandhi, Salvador Allende, Chico Mendes etc...
A impopularidade da Guerra para o lado israelense é uma realidade dada como certa antes da guerra começar, eis que da imagem de tirano que o Estado Judeu e os Estados Unidos têm advém este absurdo... Daqui a pouco vão fazer uma camiseta do Dalai Lama com uma AK 47 defendendo o anti-ocidentalismo.
Não sou a favor da guerra contra a Palestina e nem tenho conhecimentos empíricos para dar meu juízo. Mas peço que diante desta situação sejamos sensatos.
Há uns 20 anos atrás o Iraque invadiu o Irã dos Aiatolás e o ocidente vibrou com a vitória da democracia e liberdade no Oriente Médio. Festejaram nada mais nada menos do que a tirania de Saddam Hussain. Hoje o que temos no Iraque?
O Ocidente tem que aprender com os erros do passado e de repente não se meter na guerra dos outros para não produzirem outros Saddam Hussains e outros Al Qaedas da vida. Vejam as camisetas. Elas custam R$40,00, mas não comprem...
10 de janeiro de 2009
Aumento da Tarifa de ônibus em Curitiba e a bicicleta
Na próxima segunda-feira a tarifa de ônibus em Curitiba soferá um reajuste de 15,7%, passado de R$ 1,90 para R$ 2,20. As tarifas do circular centro serão reajustadas em 20% passando de R$ 1,00 para R$ 1,20 e a linha turismo 25% passando a custar R$20,00.
Este é o presente de ano novo que nosso prefeito reeleito dará a seus eleitores. Tá certo que desde 2004 que a tarifa não era reajustada, mas os atuais valores são um ônus a mais para a população utilizar nosso pouco eficiente sistema de transporte público.
Ao mesmo tempo em que as tarifas aumentam, o preço dos veículos particulares diminuem, pois com a crise mundial e os incentivos governamentais para incrementar o consumo, foi reduzido o IPI de veículos e certamente isso resultará em um acrécimo nos congestionamentos de trânsito da cidade.
Nunca no Brasil se comprou tanto carro e isso já é sentido nas ruas. Curitiba que ainda é uma metrópole pequena, causa espanto a quem estava acostumado com o trânsito daqui uma ou duas décadas atrás. Eu que sou de São Paulo, acho o transito curitibano ainda muito trânquilo, mas em um passado recente não havia congestionamento na cidade. Levando em conta que a população de Curitibae está estável há cerca de uma década, a mudança que houve é no número de veículos.
Infelizmente no Brasil o transporte público é caro e ineficiente. Realizo com frequência viagens para o interior de São Paulo e gasto menos em combustível do que eu gastaria se fosse de ônibus. Isso estando sozinho no carro.
É claro que se o brasileiro tiver condições ele vai abandonar o tranporte público e vai comprar seu carro próprio. Este é o sonho de qualquer um e é triste ver o governo apoiar estas idéias, contribuindo para a não mobilidade urbana e para o aumento da poluição.
Ao mesmo tempo, o transporte mais popular que existe, as bicicletas, sofrem com o descaso. As prefeituras nunca se lembram dos ciclistas. Poucas são as cidades que tem ciclovias e outros tipos de infra-estrutura para a bicicleta, como bicicletários, que são muito baratos comparando a infra-estrutura para os veiculos.
Recentemente, aqui mesmo em Curitiba, o grupo "bicicletada" realizou um protesto pacífico em plena luz do dia pintando uma "ciclo faixa", que como o nome diz, é uma faixa especial ao lado das ruas para as bicicletas circularem com mais segurança. A Polícia Municipal agiu com truculência, levou alguns ativistas para a delegacia e aplicoua eles uma pesada multa por depredação do patrimônio público: "Pixação"!
Eu tenho um carro, mas também tenho tenho uma bicicleta. Infelizmente não posso me locomover todo o tempo com a bike pois todos sabem do perigo que é pedalar. Tenho mais medo de ser atropelado em Curitiba andando de bicicleta do que escalar uma alta montanha nos Andes. Já perdi um primo ciclista, Bruno Akimoto, que tinha uns 22 anos na época, que foi atropelado por um caminhão em São Paulo. Desde então tenho um certo trauma com segurança no trânsito e vejo que nada tem sido feito para melhorar a segurança dos ciclistas nem para melhorar a trafegabilidade e tão pouco a qualidade de vida urbana, seja com propostas de um transporte de fato popular, quanto à questão da melhoria da saúde da população. Com um incentivo para as bicicletas tudo poderia mudar, mas as autoridades não querem!
Ainda bem que existem pessoas que lutam pela inserção da bicicleta no trânsito: O bicicletada Curitiba. Dou todo apoio a eles.
Este é o presente de ano novo que nosso prefeito reeleito dará a seus eleitores. Tá certo que desde 2004 que a tarifa não era reajustada, mas os atuais valores são um ônus a mais para a população utilizar nosso pouco eficiente sistema de transporte público.
Ao mesmo tempo em que as tarifas aumentam, o preço dos veículos particulares diminuem, pois com a crise mundial e os incentivos governamentais para incrementar o consumo, foi reduzido o IPI de veículos e certamente isso resultará em um acrécimo nos congestionamentos de trânsito da cidade.
Nunca no Brasil se comprou tanto carro e isso já é sentido nas ruas. Curitiba que ainda é uma metrópole pequena, causa espanto a quem estava acostumado com o trânsito daqui uma ou duas décadas atrás. Eu que sou de São Paulo, acho o transito curitibano ainda muito trânquilo, mas em um passado recente não havia congestionamento na cidade. Levando em conta que a população de Curitibae está estável há cerca de uma década, a mudança que houve é no número de veículos.
Infelizmente no Brasil o transporte público é caro e ineficiente. Realizo com frequência viagens para o interior de São Paulo e gasto menos em combustível do que eu gastaria se fosse de ônibus. Isso estando sozinho no carro.
É claro que se o brasileiro tiver condições ele vai abandonar o tranporte público e vai comprar seu carro próprio. Este é o sonho de qualquer um e é triste ver o governo apoiar estas idéias, contribuindo para a não mobilidade urbana e para o aumento da poluição.
Ao mesmo tempo, o transporte mais popular que existe, as bicicletas, sofrem com o descaso. As prefeituras nunca se lembram dos ciclistas. Poucas são as cidades que tem ciclovias e outros tipos de infra-estrutura para a bicicleta, como bicicletários, que são muito baratos comparando a infra-estrutura para os veiculos.
Recentemente, aqui mesmo em Curitiba, o grupo "bicicletada" realizou um protesto pacífico em plena luz do dia pintando uma "ciclo faixa", que como o nome diz, é uma faixa especial ao lado das ruas para as bicicletas circularem com mais segurança. A Polícia Municipal agiu com truculência, levou alguns ativistas para a delegacia e aplicoua eles uma pesada multa por depredação do patrimônio público: "Pixação"!
Eu tenho um carro, mas também tenho tenho uma bicicleta. Infelizmente não posso me locomover todo o tempo com a bike pois todos sabem do perigo que é pedalar. Tenho mais medo de ser atropelado em Curitiba andando de bicicleta do que escalar uma alta montanha nos Andes. Já perdi um primo ciclista, Bruno Akimoto, que tinha uns 22 anos na época, que foi atropelado por um caminhão em São Paulo. Desde então tenho um certo trauma com segurança no trânsito e vejo que nada tem sido feito para melhorar a segurança dos ciclistas nem para melhorar a trafegabilidade e tão pouco a qualidade de vida urbana, seja com propostas de um transporte de fato popular, quanto à questão da melhoria da saúde da população. Com um incentivo para as bicicletas tudo poderia mudar, mas as autoridades não querem!
Ainda bem que existem pessoas que lutam pela inserção da bicicleta no trânsito: O bicicletada Curitiba. Dou todo apoio a eles.
8 de janeiro de 2009
Morte no Aconcagua
Todos os anos repetem-se as noticias trágicas vindas da montanha mais alta e popular dos Andes, o Aconcagua.
Com um curriculum macabro, qualquer um que não conhece a montanha e nem o montanhismo, vai achar que nossa atividade é extremamente perigosa e nossas montanhas campos de batalha onde o montanhista luta até a morte contra as adversidades impiedosas da montanha.
Esta é uma visão totalmente errônea do que é o montanhismo e o que é o Aconcagua, mas infelizmente histórias trágicas continuam acontecendo e o vilão é a imprudência dos montanhistas. Imprudência em querer escalar algo que não está em sua capacidade física e mental e ingenuidade em achar que contratando um guia e uma expedição particular você irá conseguir chegar ao cume sem riscos.
Já falei várias vezes que o Aconcagua é uma montanha fácil, seja pela normal ou pelo Glaciar Polacos. Mas esta montanha é fácil somente para montanhistas. Ou seja, para quem está acostumado em subir montanhas seja no Brasil ou melhor ainda, nos Andes.
Acontece que todos têm essa facinação pelo mais alto. Todos os anos vejo pessoas treinando para ir ao Aconcagua e se tornar montanhistas, para no ano seguinte deixar de ser. Este é o perfil de quem se envolve em acidentes: Montanhistas da moda, aqueles que se atraem pela montanha, mas nunca praticou, nem mesmo nas montanhas próximas de casa.
Eu já fui ao Aconcagua duas vezes. A primeira, em 2002, eu tinha 20 anos de idade e fiz o cume pela normal sem ter guias, mulas, nada! Peguei cinco dias de tempestade em Nido de Condores e mais um dia em Berlim e persisti até o fim.
Na segunda vez, em 2004, fui com o Maximo para o Glaciar Polacos. No meio do caminho ajudamos os guarda-parques a resgatar dois corpos congelados e presenciamos o drama de uma morte e também o trabalho que a equipe de resgate tem descer os corpos.
Primeiramente a equipe de resgate leva um tambor de plásticos (desses azuis) até o local onde está o corpo. Lá, usando um fogareiro e uma faca quente, eles cortam o tambor ao meio e unem as duas partes com um arame aquecido no fogareiro e assim constróem uma plataforma para arrastar o corpo.
Várias pessoas ajudam na descida, que devido o terreno irregular é preciso fazer muita força. O corpo chega todo destruído na base de tanta batida. Lembro-me que o corpo que descemos, de uma alemão, chegou em Plaza Argentina quase sem queixo, de tanto bater nas pedras.
Quando o corpo chega nos acampamentos base, aí é hora dos helicópteros evacuarem. Eles geralmente embrulham os corpos com sacos de estopa e amarram na escotilha do helicóptero e levam embora, junto com o lixo e outros badulaques abandonados por lá.
Um guarda-parque me falou que antigamente, antes que o serviço do Parque Provincial tivesse helicópteros, eles tinham que evacuar os corpos nas mulas.
Acontece que as mulas não podem ver corpos, senão empacam. Então eles tinham que guardar os corpos dentro destes tambores azuis e assim amarrar na mula para levar embora. Acontece que corpo nenhum cabe dentro de um tambor, a não ser que não esteja inteiro. Para resolver este problema, os guarda-parques se aproveitavam do fato dos corpos estarem congelados e colocando uma pedra na cintura e fazendo uma "gangorra" partiam o corpo ao meio.
Macabro? Pois é....
Então sigam o conselho que eu deixei no site altamontanha. Não façam o Aconcagua como primeira montanha. É muito mais seguro chegar lá mais experiente. É mais econômico também, pois só o Aconcagua tem um permisso tão caro nos Andes.
Experimente outras montanhas, adquira experiência e só vá para o Aconcagua com certeza que é isso o que você quer.
Subimos montanhas para celebrar a vida e não para perdê-las. Montanhismo não é perigoso. Perigoso é tentar imitar montanhistas. Pense nisso.
Links relacionados:
Dicas do Aconcagua e Cordón del Plata
Relato do resgate dos Corpos no Aconcagua
Com um curriculum macabro, qualquer um que não conhece a montanha e nem o montanhismo, vai achar que nossa atividade é extremamente perigosa e nossas montanhas campos de batalha onde o montanhista luta até a morte contra as adversidades impiedosas da montanha.
Esta é uma visão totalmente errônea do que é o montanhismo e o que é o Aconcagua, mas infelizmente histórias trágicas continuam acontecendo e o vilão é a imprudência dos montanhistas. Imprudência em querer escalar algo que não está em sua capacidade física e mental e ingenuidade em achar que contratando um guia e uma expedição particular você irá conseguir chegar ao cume sem riscos.
Já falei várias vezes que o Aconcagua é uma montanha fácil, seja pela normal ou pelo Glaciar Polacos. Mas esta montanha é fácil somente para montanhistas. Ou seja, para quem está acostumado em subir montanhas seja no Brasil ou melhor ainda, nos Andes.
Acontece que todos têm essa facinação pelo mais alto. Todos os anos vejo pessoas treinando para ir ao Aconcagua e se tornar montanhistas, para no ano seguinte deixar de ser. Este é o perfil de quem se envolve em acidentes: Montanhistas da moda, aqueles que se atraem pela montanha, mas nunca praticou, nem mesmo nas montanhas próximas de casa.
Eu já fui ao Aconcagua duas vezes. A primeira, em 2002, eu tinha 20 anos de idade e fiz o cume pela normal sem ter guias, mulas, nada! Peguei cinco dias de tempestade em Nido de Condores e mais um dia em Berlim e persisti até o fim.
Na segunda vez, em 2004, fui com o Maximo para o Glaciar Polacos. No meio do caminho ajudamos os guarda-parques a resgatar dois corpos congelados e presenciamos o drama de uma morte e também o trabalho que a equipe de resgate tem descer os corpos.
Primeiramente a equipe de resgate leva um tambor de plásticos (desses azuis) até o local onde está o corpo. Lá, usando um fogareiro e uma faca quente, eles cortam o tambor ao meio e unem as duas partes com um arame aquecido no fogareiro e assim constróem uma plataforma para arrastar o corpo.
Várias pessoas ajudam na descida, que devido o terreno irregular é preciso fazer muita força. O corpo chega todo destruído na base de tanta batida. Lembro-me que o corpo que descemos, de uma alemão, chegou em Plaza Argentina quase sem queixo, de tanto bater nas pedras.
Quando o corpo chega nos acampamentos base, aí é hora dos helicópteros evacuarem. Eles geralmente embrulham os corpos com sacos de estopa e amarram na escotilha do helicóptero e levam embora, junto com o lixo e outros badulaques abandonados por lá.
Um guarda-parque me falou que antigamente, antes que o serviço do Parque Provincial tivesse helicópteros, eles tinham que evacuar os corpos nas mulas.
Acontece que as mulas não podem ver corpos, senão empacam. Então eles tinham que guardar os corpos dentro destes tambores azuis e assim amarrar na mula para levar embora. Acontece que corpo nenhum cabe dentro de um tambor, a não ser que não esteja inteiro. Para resolver este problema, os guarda-parques se aproveitavam do fato dos corpos estarem congelados e colocando uma pedra na cintura e fazendo uma "gangorra" partiam o corpo ao meio.
Macabro? Pois é....
Então sigam o conselho que eu deixei no site altamontanha. Não façam o Aconcagua como primeira montanha. É muito mais seguro chegar lá mais experiente. É mais econômico também, pois só o Aconcagua tem um permisso tão caro nos Andes.
Experimente outras montanhas, adquira experiência e só vá para o Aconcagua com certeza que é isso o que você quer.
Subimos montanhas para celebrar a vida e não para perdê-las. Montanhismo não é perigoso. Perigoso é tentar imitar montanhistas. Pense nisso.
Links relacionados:
Dicas do Aconcagua e Cordón del Plata
Relato do resgate dos Corpos no Aconcagua
7 de janeiro de 2009
Curitiba
Curitiba é uma das maiores aglomerações urbanas do Brasil. O municipio tem cerca de 1.700.000 habitantes e a região metropolitana tem cerca de 3.000.000 de habitantes. É bantante? Com certeza! Entretanto esta cidade tem driblado alguns problemas comuns de grandes metrópolis latino-americanas.
Na década de 1990, Curitiba foi comparada como cidades de primeiro mundo, com índices sociais e ambientais muito bons. Isso é apenas uma verdade parcial. Realmente o curitibano pode se orgulhar de viver em uma cidade bonita, mas estes índices só são superiores às outras cidades brasileiras, pois estas sim é que são muito ruins.
Como toda metrópole latino-americaca, aqui temos problemas com poluição. Não há no município, por exemplo, um rio sequer que seja limpo. Há também problemas sociais como favelização e violência. Mas tudo isso, pelo menos o que dizem as autoridades, é muito menos que nas outras cidades do país.
Como por aqui as coisas são um pouco melhores, podemos curtir a vida de uma metrópole sem tantas preocupações. O Curitibano está acostuma em ir ao parque nos fins de semana e fazer churrasco nos quiosques públicos, sem pagar nada com isso, e ainda não ser incomodado por ninguém. Aqui há muito mais ciclovias do que outras capitais brasileiras, embora ainda eu ache que sejam poucas, e há em número, muito mais parques, embora João Pessoa na Paraíba tenha mais verde que aqui.
Se você mora em bairros como Jardim Social, Batel, Cabral, Boa Vista, entre outros, pode se gabar de ter acesso a muitos serviços em locais excelentes comparáveis ao primeiro mundo. Entretanto, ao contrário destes bairros, o Pinheirinho, Vila Zumbi e em outras cidades da região metropolitana, como Colombo e Almirante Tamandaré, a vida não é tão boa assim.
Moro no centro da cidade que é bem preservado e bonito. Diferente de São Paulo e Rio, o centro daqui é bem tranquilo, mas temos também viciados em crack na rua, prostitutas e tudo mais que há em centros de grandes cidades, além é claro de alguns vândalos que pixam o patrimônio público.
Curitiba é um lugar bom para se viver e para se conhecer. É uma cidade muito diferente das demais, seja por causa da arquitetura e até mesmo pela cultura, clima e paisagem. Costumo dizer que todo mundo tem que conhecer três metrópoles brasileiras para entender a diversidade de nosso país: Manaus, no meio da floresta tropical onde a população é quase toda indígena. Salvador, como cidade litorânea tropical e histórica, onde a população é quase toda negra e Curitiba, cidade planáltica subtropical em meio a florestas de pinheiro onde quase toda a população é branca.
São mundos muito distintos que faria qualquer estrangeiro, desconhecedor de nossas paisagens, história e diversidade ficar desnorteado. Até nós mesmos.... Segue umas fotos da capital paranaense dos pinheiros, poloneses e do leite quente.
Praça Santos Andrade e Universidade Federal do Paraná.
Calçadão da XV de Novembro. A rua das Flores.
Edificio histórico no centro
Largo Generoso Marques e estátua de Rio Branco
Av. Marechal Deodoro, centro financeiro.
Monumento Árabe
O Novo e o velho: Estação de Trem e o ônibus bi-articulado.
Museu Oscar Niemayer
Casa de imigrante polonês no Bosque do Papa.
Jardim Botânico
Bosque Alemão
Parque Tanguá
Teatro Guaíra
Espetáculo no Teatro da Reitoria da UFPR
... e é claro, as Araucárias, afinal Coritiba significa "Muita Araucária".
Parque Tingui
Vista do Parque Barigui para a cidade.
Floresta de Araucária no Parque Barigui
Na década de 1990, Curitiba foi comparada como cidades de primeiro mundo, com índices sociais e ambientais muito bons. Isso é apenas uma verdade parcial. Realmente o curitibano pode se orgulhar de viver em uma cidade bonita, mas estes índices só são superiores às outras cidades brasileiras, pois estas sim é que são muito ruins.
Como toda metrópole latino-americaca, aqui temos problemas com poluição. Não há no município, por exemplo, um rio sequer que seja limpo. Há também problemas sociais como favelização e violência. Mas tudo isso, pelo menos o que dizem as autoridades, é muito menos que nas outras cidades do país.
Como por aqui as coisas são um pouco melhores, podemos curtir a vida de uma metrópole sem tantas preocupações. O Curitibano está acostuma em ir ao parque nos fins de semana e fazer churrasco nos quiosques públicos, sem pagar nada com isso, e ainda não ser incomodado por ninguém. Aqui há muito mais ciclovias do que outras capitais brasileiras, embora ainda eu ache que sejam poucas, e há em número, muito mais parques, embora João Pessoa na Paraíba tenha mais verde que aqui.
Se você mora em bairros como Jardim Social, Batel, Cabral, Boa Vista, entre outros, pode se gabar de ter acesso a muitos serviços em locais excelentes comparáveis ao primeiro mundo. Entretanto, ao contrário destes bairros, o Pinheirinho, Vila Zumbi e em outras cidades da região metropolitana, como Colombo e Almirante Tamandaré, a vida não é tão boa assim.
Moro no centro da cidade que é bem preservado e bonito. Diferente de São Paulo e Rio, o centro daqui é bem tranquilo, mas temos também viciados em crack na rua, prostitutas e tudo mais que há em centros de grandes cidades, além é claro de alguns vândalos que pixam o patrimônio público.
Curitiba é um lugar bom para se viver e para se conhecer. É uma cidade muito diferente das demais, seja por causa da arquitetura e até mesmo pela cultura, clima e paisagem. Costumo dizer que todo mundo tem que conhecer três metrópoles brasileiras para entender a diversidade de nosso país: Manaus, no meio da floresta tropical onde a população é quase toda indígena. Salvador, como cidade litorânea tropical e histórica, onde a população é quase toda negra e Curitiba, cidade planáltica subtropical em meio a florestas de pinheiro onde quase toda a população é branca.
São mundos muito distintos que faria qualquer estrangeiro, desconhecedor de nossas paisagens, história e diversidade ficar desnorteado. Até nós mesmos.... Segue umas fotos da capital paranaense dos pinheiros, poloneses e do leite quente.
Praça Santos Andrade e Universidade Federal do Paraná.
Calçadão da XV de Novembro. A rua das Flores.
Edificio histórico no centro
Largo Generoso Marques e estátua de Rio Branco
Av. Marechal Deodoro, centro financeiro.
Monumento Árabe
O Novo e o velho: Estação de Trem e o ônibus bi-articulado.
Teatro Guaíra
Parque Tingui
Vista do Parque Barigui para a cidade.
Floresta de Araucária no Parque Barigui
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