Finalmente, após muitos anos consegui conhecer o Nepal, o país das montanhas mais famosas do mundo. Demorou tanto assim porque é longe (e caro) pra caramba.
Pra chegar aqui tive que dar uma volta ao mundo de avião. Saí de São Paulo à 1:20 da madrugada com Fly Emirates rumo à Dubai nos Emirados Árabes Unidos.
Dormi enquanto sobrevoava o Atlântico, acordei sobre o Lado Tchad, na fronteira do Niger, Nigéria, Chade e Camarões. Infelizmente todos dormiam e além disso estava na fileira central do avião, um gigantesco A380. Fiquei decepciondo pois prefiro ver o mundo lá fora do assistir filmes na TV. Só fui ver o Sahara da janela da porta de embarque, onde pude ver também o Rio Nilo. Fiquei extasiado por isso.
Cruzamos o grande rio no ponto em que ele faz uma curva de S, facilmente identificável no mapa. Lá observei o motivo: falhas geológicas. Pude também observar vilarejos e plantações tímidas neste trecho sudanês do rio.
Infelizmente tive que ficar preso ao assento na hora de cruzar o mar vermelho. Também estava com fome. Alcançamos a Arábia Saudita à noite novamente, no dia mais curto de minha vida, correndo contra o relógio a 1000km na altitude de cruzeiro.
Chegamos nos Emirados tarde da noite e dormimos num hotel dentro do aeroporto super moderno. O quarto era luxuoso e incluiram no preço todas as alimentações. Porém a longa viagem cansou muito e tive bastante dor de cabeça e nem aproveitei tanto que queria.
Acordamos relativamente tarde, já nem tinha café da manhã. Passeamos pelo aeroporto gigantesco saindo de um terminal a outro e vendo aviões de vários países que são estranhos a nós. Além dos vários A380 da Emirates, haviam aviões mais modestos de países como Arábia Saudita, Afeganistão, Malásia, Indonésia, Iraque, Kuwait . Imagino a quantidade de cidades que daria para conhecer dali que fazem parte de um mundo tão diferente do nosso que gostaria tanto de conhecer.
Em nosso novo terminal funcionava praticamente a empresa Fly Dubai que nos levaria à Kathmandu. Ali havia muita gente diferente, além dos árabes com seus turbantes, muita gente como cara de indiano e alguns com cara de asiático.
Quase todos tomaram o mesmo vôo que nós. Todos nepaleses de diferentes etnias que trabalham pesado nas obras de construção de Dubai, são a mão de obra barata junto com paquistanêses e gente de Bangladesh e filipinas.
No vôo vi as cidades da costa dos emirados, todas muito ricas. Cruzamos o golfo pérsico, cheio de embarcações e logo voamos o deserto do Irã onde vi apenas uma cidade. Mergulhamos na noite novamente e só deu para ver luzes quando já cruzavamos as planícies indianas.
No nepal as luzes se apagaram. O comissário avisou que iríamos pousar e em baixa altitude consegui ver a cidade, bastante apagada apenas com as luzes das modestas residências. Tocamos o chão e já estávamos finalmente em Kathmandu.
Descemos na pista e rapidamente entramos no modesto aeroporto que leva o nome de um antigo rei. O Nepal era uma monarquia até 2008, quando uma revolução transformou o monarca, que era um administrador ruim em civil. No lugar entraram civis que são piores administradores e tão corruptos quanto.
No saguão do aeroporto fiz o requerimento de visto. Paguei 100 dólares, pois fico no país 36 dias. O oficial que me entrevistou foi simpático e perguntou minha religião. Queria ser simpático também, porém não sabia o que responder. Não sou religioso, mas sou ocidental, obviamente sou influênciado pelo cristianismo disse então que eu era corinthiano.
Estávamos com sorte, nossas bagagens não demoraram para chegar na esteira e na saída já tinha gente nos esperando. Fomos ao hotel onde nos encontramos com a Karina Oliani e seu marido Marcelo, a tempo de comer um nachos num restaurante mexicano de Thamel e voltar para tentar dormir.