Blog do Pedro Hauck

2 de maio de 2012

Rio noturno

Estive no Rio de Janeiro na ultima semana participando de diversos eventos que se reuniram em torno da Primeira Semana Brasileira de Montanhismo. Nos próximos posts vou mostrar um pouco do Rio e da experiência em ter participado deste evento histórico. Como não houve tempo pra fazer tudo, conheci bastante a cidade à noite e tirei estas fotos:

 Paço imperial

 Paço imperial, Praça XV.

  Paço imperial, Praça XV.

  Paço imperial, Praça XV.

  Paço imperial, Praça XV.

 Assembléia Legislativa

  Assembléia Legislativa

 Rua da Assembléia



 Teatro Municipal

 Biblioteca Nacional

Câmara dos vereadores 

Assembléia Legislativa

Bar amarelinho 

Cine Odeon 

 Centro cultura da Justiça Federal

Urca 

 Vista do Rio desde a Babilônia

Urca + Pão de Açucar 



Aterro 

Botafogo e Flamengo 

Centro 

Copacabana Palace 

Orla em Ipanema 

Orla em Ipanema

21 de março de 2012

Adeus ao grande mestre Aziz Ab Sáber

Existem pessoas que a gente nunca chega a conhecer, mas que exercem grande influência sobre nossas vidas. Acredito que o geógrafo Aziz Ab´Sáber foi uma das pessoas que mais influenciou minhas idéias e me ajudou bastante em minha maturidade em pesquisas e também na maneira de pensar.

Minha trajetória pela Geografia começou com na Unesp de Rio Claro pela Geografia Urbana, passou pela Geomorfologia, mas amadureceu com minhas pesquisas biogeográficas com a Teoria dos Refúgios. A disciplina Geografia de Brasil II, ministrada no terceiro ano pelo professor Adler, era uma revisão sobre a Geografia física do país. Foi, no entanto, no final de sua disciplina a maneira de ser das paisagens brasileiras me fez sentido. Ela foi explicada pelas idéias da teoria dos Refúgios, que eu vim a me apaixonar.

Pela primeira vez tive noção do que seria uma paleo geografia de verdade. A proximidade na escala de tempo, final do Pleistoceno/Holoceno, me permitiu ter uma idéia maior e menos abstrata do passado. Pude assim entender as paisagens que eu gostava e freqüentava, as montanhas, que apresentam um padrão do tipo anormal perante a certa homogeneidade de ecossistemas dentro dos domínios de natureza do país. De começo levei até um esporro do Adler:

_ Ab´Sáber tem acento, porra! Nunca me esqueci de citar corretamente o Aziz. Rsrsrs

Tive a percepção que a Teoria dos Refúgios explicava a fantástica paisagem da Serra dos Cocais, em minha cidade natal, Itatiba, no interior de São Paulo. Fiz então um trabalho, minha conclusão no curso de Geografia. Mais tarde, me aprofundei na compreensão desta teoria e na minha dissertação de mestrado, defendido na UFPR, expliquei as origens da paisagem de floresta de Araucárias no Paraná, um trabalho muito interessante e bastante comentado.

Pude rebater algumas afirmações de Aziz, aprimorando a teoria dos Refúgios, não refutando-a.

O Aziz era um grande conhecedor do Brasil, ele viajou por todo país na maneira que pôde de jipe, no lombo de burro e barco. Estas experiências resultaram em importantes observações sobre como as paisagens brasileiras se comportam e como elas evoluíram. Ele colocou isso dentro da escala de tempo geológico e contribuiu para que conhecêssemos como se deu a evolução do relevo e também a vegetação.

Cada leitura que eu faço dos textos do Aziz, eu consigo abstrair uma nova informação. É muito grande sua clareza nas idéias, ao mesmo tempo em que é necessária experiência para retirar dali seus entendimentos. Não que seja difícil de ler, mas sim por que são tantas e tão ricas as informações que a retirada destes dados se faz de acordo com a evolução de nossos olhos e cérebros.

Me encontrei com Aziz diversas vezes, sempre em eventos científicos nos quais sua presença se tornava sensação. Sempre tentei conversar com ele nestas ocasiões, mas isso foi impossível, dado a quantidade de gente que para aparecer ocupava o tempo do grande Aziz com perguntas sem questões que o grande geógrafo respondia com simpatia, não era dele ser arrogante, mesmo diante de quem enchia o saco.

Aziz em evento científico

Exatamente porque eu não queria encher o saco, protelei fazer contato telefônico ou por carta. Uma pessoa com oitenta e poucos anos não deveria ter email... Era o que eu achava. Protelei tanto que perdi a chance de entender mais coisas que o Aziz sabia e que não pude extrair de seus textos. Ficará para outra dimensão esta conversa.

Mesmo sem poder conversar, soube que o Aziz ficou sabendo de meus trabalhos. Foi através do professor Adler que soube que meus trabalhos sobre a Teoria dos Refúgios foi citada pelo Aziz no belíssimo livro Ecossistemas do Brasil, livro tão belo (e caro) que ainda não tive contato, infelizmente.

Fica aí minha homenagem à este fantástico homem, formidável geógrafo e grande mestre Aziz Nacib Ab´ Sáber.

Aziz com meu tcc em mãos.

15 de fevereiro de 2012

Os Abrigos do Pico Paraná

Neste vídeo, o Paulo Schimidlin "Vitamina" conta as histórias de tentativa de construção de abrigos no Pico Paraná. De acordo com ele, foram 6 as tentativas.

Hoje o único abrigo que temos por lá é o A2, localizado nas encostas do Pico dos Camelos. Ele é quase uma ruína sem teto, serve só para ajudar as pessoas a fazer comida nos dias com vento.

Muito já se foi falado sobre o destino deste abrigo. Alguns são a favor da demolição, outros de sua reconstrução. O fato é que infelizmente até mesmo no montanhismo somos sempre vitimados por vândalos e por isso nossos abrigos nunca se perpetuam, daí a dificuldade de mobilização para termos esta infraestrutura. Vale a pena ver o vídeo, de uma palestra ministrada pelo Vita em Fevereiro de 2012 na sede do CPM.


Vitamina, um dos figuras mais emblemáticos do montanhismo paranaense.

8 de fevereiro de 2012

Mobilização contra lei polêmica

Quem não conhece a Lei Estadual (PR) 17.052, está na hora de parar para ler.

Esta lei irá regulamentar a promoção da prática de esportes de aventura no Paraná e isso abarca o montanhismo, escalada, trekking, canoagem, voo livre, Mergulho, etc... Há muito tempo que tanto a prática de esportes, quanto sua comercialização, o turismo de aventura, vem gerando discussões, pois há uma grande necessidade de regulamentação do turismo e isso pode interferir na pratica do esporte.

Na esfera federal, uma lei polêmica está sendo votada. Porém, ao que parece, os interessados para que esta lei seja aprovada andaram agindo nos Estados e tanto no Paraná, quanto no Ceará e Minas tem leis que regulamentar os esportes que são literalmente um copy e paste do texto. Além destes estados, Mato Grosso e Rio de Janeiro tem projetos idênticos.

O que está em jogo é a criação de um novo mercado que irá certificar guias, cursos e praticantes de esportes. Pelo texto original da lei, dá pra concluir que a "segurança" que se deseja ao esporte está sendo substituida por uma série de burocracias que por si nada demonstram de eficacia contra eventuais acidentes. É um literal "criar dificuldade para vender facilidade".

Uma grande mobilização está acontecendo e um abaixo assinado já está disponível. Confira abaixo o link da FEDERAÇÃO PARANAENSE DE MONTANHISMO, onde há um esclarecimento sobre esta lei. Clique abaixo para assinar a petição.

:: ABAIXO ASSINADO CONTRA A LEI 17.052/2012


31 de janeiro de 2012

Travessia Papanduva (PR) - Quiriri (SC)


Dizem que Murphy era montanhista e, além disso, curitibano. Por aqui é normal chover nos finais de semana depois de uma sexta feira de sol. Também é normal chover na quarta feira, quando você conseguiu tempo livre para escapar pra montanha no meio da semana. Foi isso o que aconteceu comigo na semana passada.

Nem sempre, no entanto, a lei de Murphy é ruim e assim que aquela frente fria entrou na quinta, trazendo chuva e derrubando a temperatura eu saberia que no final de semana teríamos tempo aberto e predomínio de massa polar, tempo perfeito pra ir pra montanha durante um verão.

Recebi o convite o Elcio de fazer uma travessia que há muito tempo gostaria de fazer: A travessia Araçatuba x Monte Crista, que sai em seu extremo norte do bairro do Matulão em Tijucas do Sul – Paraná e vai morrer no Monte Crista, passando Garuva em Santa Catarina, fazendo uma ligação entre a Serra da Papanduva e a Serra do Quiriri, uma das regiões de campos mais belas do Brasil.

Com a ajuda do Fiori, que acordou cedo pra nos leva com meu carro até a base do Araçatuba, a Travessia começou com tudo. Quem sabe como é o Elcio, sabe que não dá pra perder tempo. Desta forma, chegamos no cume da primeira montanha em apenas uma hora e meia, com tempo apenas de tirar uma fotos e vazar.

Atravessamos o cume e rumamos ao Sul, descendo um enorme vale, meio confuso, onde quase fomos pegar a trilha para o Morro dos Perdidos. Nos achamos, corrigimos o rumo e atravessamos o fechado vale até chegar nas encostas do Morro do Baleia e depois, o Morro da Moréia. Era minha primeira vez nestas duas belíssimas montanhas quase que completamente revestida por campos subtropicais.

Na descida do Moréia já fomos encontrando sinais da invasão biológica dos Pinus, uma arvore importante economicamente, mas que é bastante invasiva. Logo chegamos a uma fazenda que pertence à ComFloresta, uma grande empresa silvícola. Paramos para beber água e refrescar numa cachoeira e logo começou uma longa marcha pelo meio das estradinhas que cortam os talhões de pinheiros.

Caminhamos o dia todo, sob a triste paisagem artificial. No total são 17 quilômetros que são percorridos rapidamente, devido a facilidade do caminho, mas que no final não tem nenhuma graça, pois é apenas um trecho onde a gente passa sem admirar nada na paisagem.

A Comfloresta termina num riacho de águas cristalinas, onde me reabasteci com água e fui quase sugado pelos pernilongos. Atravessando o riacho, deixamos pra trás o Estado do Paraná e entramos em Santa Catarina em uma paisagem de cair o queixo. O reflorestamente de Pinus fica pra trás e no lugar surge a paisagem original, os campos de altitude, com seu aspecto bucólico, a visão impedida e sua sensação de liberdade.

Subimos uma colina e de morro em morro fomos vendo o dia acabar, para enfim chegarmos a nosso destino: O Marco da Divisa, uma fronteira seca entre Paraná e Santa Catarina que foi demarcada em 1916, talvez em decorrência dos conflitos da Guerra do Contestado.

Chegamos à noitinha, com espessa neblina que logo se tornou chuva fina. Mal deu tempo pra descansar e já tive que entrar no saco de bivak pra me abrigar. Conversa e jantar ficou pra depois. Sem barraca, o ideal era não se molhar para poder dormir um pouco melhor. Com a chuva e o cansaço de ter percorrido 33 quilômetros quase sem parar em 14 horas de esforço, acabei pegando no sono e só acordando com a luz das estrelas, quando a neblina se dissipou.

Acordei com o nascer do Sol, não sentindo que a noite foi boa pra me recuperar totalmente. Levantei, fiz algo pra comer e às 8:30 já estávamos caminhando pelos campos, observando a paisagem e uns quatis que passavam por perto.

Logo cedo percebi que não estava bem. Nos campos de altitude, quando o tempo está bom, faz muito calor e no verão é comum a presença de Butucas e outros mosquitos. Fora isso, eu ainda tava cansado e o capim alto começou a castigar bastante.

No Quiriri quase não há trilha. Você pode andar livremente por qualquer lugar. Porém, o capim alto tem um substrato irregular e nesta época do ano, molhado. Com o tempo, a bota encharcou, meu pé começou a fazer bolha. O pisoteio do capim era muito cansativo, parecia estar pisando na neve. Minha coxa e meu joelho começaram a doer.

Fui ficando cada vez mais lento, sempre fazendo que o Elcio tivesse que me esperar. Nessa, eu nunca parava pra descansar e meu pé ia ficado cada vez pior.

Depois de caminhar por umas 4 horas, chegamos a um ponto no meio do caminho entre a Pedra da Tartaruga e o Morro Bradador, onde decidimos abordar a Travessia até o Monte Crista e descer pela trilha da Tartaruga.

Foram mais duas horas de sofrimento nos campos, até chegar na trilha de descida, no meio da mata atlântica. Era bom pisar em terra novamente, porém quem conhece aquela região sabe. A trilha da tartaruga é uma das piores que existe! Com mais de mil metros de desnível, esta trilha é cheia de caminhos errados, sempre fecha facilmente com bambus e cipós cortantes, tudo nela é podre, sem bons locais pra segurar, muitos trechos inclinados e escorregadios e sem um ponto de água sequer!

Como podem imaginar, a descida foi um martírio. Só parei para descansar no único mirante da trilha e depois disso não conseguia mais dobrar o joelho. Foi difícil e dolorido, cheguei na BR 101 literalmente descaderado, sendo acudido com um delicioso suco e lanche da SantPar, um lanchonente que vende produtos coloniais onde seus funcionários foram muito acolhedores, permitindo que usássemos sua casa para tomar banho e não passar tanta vergonha na rodoviária de Garuva, onde eles nos levaram mais tarde.

Chegamos lá na esperança de logo embarcar pra Curitiba, no entanto, o guichê estava fechado. Haviam muitos ônibus que paravam na rodoviário com destino à capital das Araucárias, mas nenhum motorista queria nos levar, por mais que houvessem lugares. _ Era a norma da empresa! Diziam os burocratas motoristas que foram me deixando emputecido!

Como podia uma cidade fechar a rodoviária às 9 da noite e nos deixar ali? A gente tinha dinheiro, nem estávamos tão sujos, mas os motoristas se negavam em nos levar porque era obrigatório comprar a passagem naquele guichê fechado.... Nem ligar pra ANTT deu certo, só a cara de cachorro sem dono do Elcio fez, ao dizer que íamos dormir na rua se ele não aceitasse nos levar. 

Foram 48 quilômetros de pernada numa travessia que deveria ser muito maior, mas que acabou saindo uma novidade, pois ninguém desce na Pedra da Tartaruga vindo do Araçatuba. O balanço final que faço é que valeu a pena, mas o melhor trecho, que são os campos do Quiriri, não foram tão bem aproveitados. Confesso que não gostei nada daqueles 17 Km de estrada de Pinus, mas só volto pois quero chegar no extremo Sul desta Travessia, o Monte Crista, que era o plano original.

 Neblina nos vales do sopé do Araçatuba.

Elcio no cume do Araçatuba. 

Região do cume do Araçatuba 

Morros ao sul do Araçatuba 

Caminhando em direção ao Baleia. 

Serra da Papanduva 

Subindo o Baleia 

Subindo o Baleia  

Cume do Baleia

Cume do Baleia, vista para o Araçatuba 

 Cume do Baleia - vista para o Moréia

 Subindo o Moréia.

Cume do Moréia

vista para o vale entre Moreia e Araçatuba

Cachoeira no começo da Comfloresta 

Comfloresta 

Ultimo trecho antes de Santa Catarina 

Não ande com pés molhados. Dá bolha!

Paisagem dos campos do Quiriri

Primeira visão do Quiriri 

Windows Quiriri, sem tela azul! 

Campo com campim baixo. 

Pôr do Sol

Local de bivak 

Vista do Quiriri 



Marco da Divisa

 Marco da Divisa

 Marco da Divisa


 Marco da Divisa

Caminhando pelos campos 


Quatis  




Capim alto 


Local onde deixamos os campos para descer rumo à BR101