Neste final de semana finalmente conheci dois points de escalada famosos no vale do Paraíba entre SP e RJ, o Bosque das Paredes Ocultas (BPO) em Engenheiro Passos RJ e Brejetuba em Cruzeiro SP.
Foi uma passada rápida, apenas para conhecer mesmo. No BPO cheguei perto das 4 da tarde e só consegui escalar duas vias, muito bonitas, mas que não sei o nome. Me chamou atenção primeiramente a rocha, um Migmatito tresdobrado muito bonito e interessante. Depois a qualidade da escalada com muitas agarras em paredes negativas e até mesmo tetos. Uma das vias inclusive era de um teto muito bonito e fácil.
Fomos a Brejetuba no domingo de manhã com o Thiago, anfitrião que me apresentou o pico que impressiona pelo tamanho da parede principal com cerca de 100 metros de altura. Escalamos uma via que também não sei o nome e que tem duas enfiadas. A escalada foi muito agradável, um nível fácil, mas desafiador.
Uma pena que um final de semana é muito curto para viajar tão longe. No entanto é sempre bom conhecer novos locais e fazer novas amizades.
No dia 18 de Junho de 2017, Fábio Lima e eu completamos o desafio Big 1000 no Anhangava.
Este é um grande desafio de escalada que te obriga a tecer estratégias, ter bons equipamentos, conhecer bem o morro, tanto os acessos quanto as vias, ter total domínio e fluência nas técnicas de escalada, além de bom psicológico e ótimo preparo físico.
Tudo isso? Sim!
Apesar de ser uma montanha, o Anhangava não tem grandes paredes. Suas maiores vias tem apenas 100 metros e exige longos e complicados rapéis. Na receita inclui também ser organizado para evitar cachorro na corda e enroscos.
Abaixo está o vídeo que produzi, com nossos parcos recursos e sem ajuda externa. Inspire-se para repetir também!
Há duas semanas atrás comentei da realização de uma via em móvel que sai da base da via Sétimo Dia e termina na parada da via Diversão Garantida. Retornando ao Morro, me deparei com outra possibilidade utilizando esta mesma parada. Desta vez saindo da base da Peón e chegando nesta mesma parada.
Esta linha, que ficaria na direita da Diversão Garantida e esquerda da Peón pode ser repetida apenas com proteções naturais. Utiliza-se um camalot n. 2 logo na saída. Depois há dois lances que podem ser protegidos com fitas em bico de pedra. A linha chega perto do grampo antigo que ainda está na parede, porém pode ignora-lo e proteger em uma fenda pequena com uma peça tamanho 0.4 a prova de bomba.
A linha segue naturalmente indo ligeiramente à direita para cima, sem invadir nem a Peón nem a Diversão até um local onde há algumas orquídeas. Ali desvia-se para a esquerda para chegar na última proteção da Diversão (uma chapa PinGo) e enfim utilizar a parada desta via. No entanto, a linha natural belíssima (dá um quinto) fica muito exposta e não há como proteger naturalmente.
Acaba que somos seduzidos para ir mais para a esquerda e usar as duas chapas finais da Diversão, com uma proteção no meia dela feita com um camalot n. 1 numa fenda boa (à prova de bomba!).
Com isso, o Setor da Sétimo dia, apenas com a adição da parada da Diversão da Sétimo Dia ganhou 2 vias! Sendo que uma é mista (a própria Diversão Garantida) e duas em móvel.
Fica então uma necessidade de dar nome a estas linhas (a linha da esquerda - número 3 - e linha da direita - número 5 - da Diversão - número 4), pois já tá dando confusão! Abaixo tenho um croquis com as linhas para poder identificar.
As vias do setor Sétimo Dia (fora a possibilidade de vias em top rope: 1) Sétimo Dia, VIsup, 2) Sétimo Dia em Móvel, VI sup(?), 3) Via em móvel (nome?), V, 4) Diversão Garantida, V, 5) Via sem nome V(?), Peón, IIIsup.
No ultimo post, quando descrevi a linha da esquerda, Ronaldo Franzen comentou que aquela linha chamava-se Parede das Orquídeas. Sua descrição, no entanto, me deixou na dúvida, pois ele diz que esta linha foi escalada há bastante tempo e não havia a parada da Diversão. Seria mesmo esta linha? Esta outra da direita já foi solada há muito tempo, o próprio Dubois saia da Peón e ia até a Sétimo dia. Qual seria o nome da via?
Saída da via com proteção feita com um camalot n.2. Lance bem divertido.
Local onde é protegido com uma fita. Segunda proteção da via.
No dia 10 de Maio de 2014 nosso amigo Paulo Roberto Felipe Schmidt, o Parofes, nos deixou.
Nos anos que se seguiram, deixamos suas cinzas espalhadas em várias montanhas nos Andes e no Brasil também, com histórias bem divertidas.
Bom, você pode pensar que é meio mórbido falar de algo divertido no meio de um fato tão triste. Porém a verdade é que o Parofes soube encarar muito bem o fato de estar perto do fim, sendo inclusive bem humorado.
Antes dele morrer conseguimos nos despedir. Um privilégio dizer tchau para alguém que nunca mais você verá em vida. Na despedida ele continuou sendo bem humorado e me pediu para que eu depositasse as cinzas dele em Agulhas Negras. Perguntei se poderia jogar em montanhas nos Andes, e ele disse que sim, mas que não podia esquecer de de jogar em Agulhas, que era a montanha favorita dele.
A primeira parte eu cumpri. Joguei as cinzas dele em 32 montanhas diferentes (ver lista abaixo). Porém faltou jogar em Agulhas Negras.
Ele me disse que, se eu não jogasse, ele iria puxar meu pé para debaixo da cama. Ele também não cumpriu....
Passando pelo Everest, me deparei com o memorial dos mortos na montanha. Havia gente famosa, como Rob Hall, Scot Fischer, Babu Sherpa e outros. Ficou agora dois totens a mais. Uma para o Parofes e outro para o Davi Marski, que morreu meses mais tarde num trágico acidente com abelhas em Andradas.
Assista ao vídeo:
Montanhas onde depositei as cinzas do Parofes:
1.Chaupi Orco: 6044 metros; Bolívia/Peru
2.Chachacomani: 6074 metros; Bolívia
3.Chearoco: 6.127 metros; Bolívia
4.Acotango: 6052 metros; Bolívia/Chile
5.Capurata: 6008 metros; Bolívia/Chile
6.Guallatiri 6071 metros; Chile
7.Uturuncu: 6008; Bolívia
8.Macon; 5520; metros; Argentina
9.Acay: 5745 metros; Argentina
10.Quewar: 6150metros; Argentina
11.Socompa: 6051 metros; Argentina/Chile
12.Mercedário: 6735 metros; Argentina
13.Tres Cruces Central: 6766 metros; Chile/ Argentina
14.Vicunas: 6078 metros; Chile
15.Ojos del Salado: 6890 metros; Chile/Argentina
16.Huayna Potosi: 6088 metros; Bolívia
17.Illimani: 6440 metros; Bolívia
18. Famatina: 6100 metros; Argentina
19. La Brea: 5225 metros; Argentina
20. Lagunas Bravas: 5350 metros; Chile
21. Chifu: 5040 metros; Chile
22. Lomas Coloradas: 5300; Chile (conquista)
23. El Morado 5290 metros; Chile (conquista)
24.Sierra de Aliste: 5200 metros; Chile
25.Vulcão Copiapó: 6050 metros; Chile
26.Patos: 6288; Argentina / Chile
27.Sierra Nevada: 6137 metros; Chile/Argentina
28. Passo Cerrado: 5079 metros; Chile
29. Parofes: 5845 metros; Argentina (conquista e nome em homenagem ao Parofes)
30.Baboso: 6080 metros; Argentina
31. Bonete Chico: 6779 metros; Argentina
32. Veladero: 6430 metros; Argentina
No começo deste ano, todos foram surpreendidos com a terrível notícia de que nosso amigo Edson Struminki, o Dubois, estava com uma terrível doença, um sarcoma na perna.
A doença se espalhou rapidamente e não houve tempo dele e sua família conseguirem o auxilio do SUS, o que fez com que eles fossem buscar auxilio com médicos particulares. Cada dose de quimioterapia custava 12 mil reais, um valor muito elevado para um brasileiro comum.
Diante deste dramático problema, diversos amigos fizeram de tudo para ajudar Dubois financeiramente para pagar seu tratamento. De minha parte realizei 3 sorteios de produtos doados por empresas do meio de montanhismo.
Infelizmente Edson faleceu durante a realização da terceira rifa.
No total consegui através desta ação a doação de R$8228.35.
Abaixo tenho todos os comprovantes de pagamentos que realizei em sua conta e no ultimo na conta de sua mulher, a Miriam.